Artigos

Crise no sindicalismo docente?!

Por:  Diorge Alceno Konrad*

No Brasil, o movimento sindical ainda não conseguiu acumular forças para colocar os trabalhadores em ofensiva contra a exploração do trabalho. Os trabalhadores, afetados pelo desenvolvimento tecnológico que os fragmenta politicamente, resultando na maior quantidade de correntes, não permitindo uma unidade de ação, acabam obscurecidos na luta em defesa de seus direitos. Submetem-se a discursos de que a realidade se transformou e as formas históricas de resistência estão superadas, o que indicaria o fim das organizações. Outros aceitam o argumento da crise de direção dos movimentos, propondo a troca de lideranças “reformistas” para que a classe operária volte ao caminho do paraíso, acreditando no desejo de mudança. Esquecem do aprendizado histórico de que a unidade da classe trabalhadora passa pela política, sem submissão a governos ou a lógicas de negociação e harmonização.

Em janeiro, os docentes do ensino superior realizaram o seu 27º Congresso, em Goiás. Os delegados da SEDUFSM levaram a vitoriosa proposição de desvinculação gradual e total das Universidades Públicas às Fundações Privadas, que são consideradas canais de interesses mercadológicos, desnecessárias e perniciosas para o desenvolvimento do ensino, da pesquisa e da extensão pública e socialmente referenciada, pois por elas têm passado as questões da privatização e de alternativa de busca de recursos para o professorado. Também foi deliberado que: o movimento docente enfrentará as políticas de cortes sociais e a falta de reajustes do funcionalismo público, como alternativa à intransigência do governo em não atender as reivindicações salariais dos docentes; denunciando a criminalização da resistência às políticas neoliberais para a educação superior brasileira.

Estas deliberações são importantes, mas insuficientes para o período que se avizinha, com o achatamento salarial, que causa enfraquecimento dos sindicatos, pela ''flexibilização'' das leis trabalhistas e pela piora nas condições de trabalho, inclusive para os docentes. Sem esta compreensão, deixamos de centrar nossa luta, ficando a mercê de disputas meramente ideológicas. E não se alcança esta luta unitária com comportamentos corporativistas e exclusivistas, dirigindo uma entidade como se fosse um “aparelho” desta ou daquela tendência política ou como corrente de transmissão de governos de plantão.

Na fase atual do sindicalismo brasileiro, o salto poderá ser dado se os trabalhadores compreenderem que a sua unidade de luta deve ultrapassar o sectarismo ou o colaboracionismo patrono-estatal, através de um sindicalismo democrático, massivo e plural, centrado na independência da classe dos trabalhadores do Brasil. O movimento sindical docente e os professores da UFSM saberão dar contribuição a este emblemático momento? Eis um dos grandes desafios para 2008.

(Artigo publicado no jornal A Razão de 11 de fevereiro de 2008)

* SEDUFSM



Compartilhe com sua rede social!

© 2017 SEDUFSM
Rua André Marques, 665 - Centro, Santa Maria, RS - 97010-041
Website por BM2 Tecnologia em Internet