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8 de março de consciência e de luta

Por:  Glaucia Vieira Ramos Konrad*

O Dia Internacional da Mulher deve ser considerado como um momento de reflexão sobre a luta milenar de um gênero que busca sua emancipação em todas as instâncias da vida social.

Muitas foram as conquistas. Muito ainda se tem a avançar.

Longe se vão os tempos das “mulheres-bruxas”, queimadas pela Inquisição em razão dos seus saberes de cura, mas recentes são as mortes causadas pela negação de saberes e direitos públicos, sempre centralizados, hierarquizados e organizados para não atender as necessidades básicas do feminino.

Longe de nós estão os dias em que as mulheres eram consideradas propriedades legais de seus maridos, mas continuam os espancamentos e mortes das vítimas, buscando o refúgio em delegacias criadas para sua proteção.

Distante se vai a luta das sufragistas pelos direitos políticos e civis e por espaço no mercado de trabalho, mas insistentes são as formas veladas e explícitas de assédio moral e sexual, vividas por elas no laborar cotidiano.

Mesmo com direito de votar e serem votadas, de assumir postos de trabalho e funções estratégicas, antes espaços exclusivamente masculinos, além de manter o papel protagonista na criação dos filhos, as mulheres ainda sofrem com as mais variadas formas de discriminação. São as que recebem os menores salários, as mais atingidas pela precarização do trabalho e pela falta de amparo do Estado, em razão do sucateamento dos serviços essenciais da saúde, educação e moradia.

O 8 de Março não é apenas data festiva, mas singular para possibilitar uma discussão na sociedade em torno da emancipação e das principais reivindicações das mulheres. É de homenagem às grandes lutadoras, passadas e presentes, que nas suas caminhadas ajudaram no avanço das conquistas.

Por isso, nenhum direito a menos, muitos a mais para a memória e a história de Madalena Caramuru, a primeira a ler e escrever na época de ignorâncias coloniais; de Maria Quitéria, a se disfarçar como homem para mostrar a bravura pela independência no lugar do bordado; de Olga Benário Prestes, centenária em 2008, levando até as últimas conseqüências a luta pela liberdade e contra o nazi-fascismo; mas de tantas e tantas anônimas como aquelas que não aceitaram a escravidão e a retirada da terra, aquelas que não suportaram o patriarcalismo e o machismo, a opressão e a tirania das ditaduras, enfim, lutas individuais e coletivas que garantem o 8 de março como o dia da reflexão e da consciência da luta que só silenciará quando a igualdade entre mulheres e homens não for sonho, mas um caminhar que se faz conjunto, ninguém na frente, ninguém atrás.

(Publicado em A Razão de 3 de março de 2008)

* UFSM



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