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Mulheres e a inserção no espaço público

Por:  Fabiane Tonetto Costas*

Na sociedade ocidental é evidente a grande participação feminina em ambientes e atividades consideradas de caráter masculino. Não obstante, apesar dessas conquistas nos espaços antes exclusivamente pertencentes aos homens, um número cada vez mais significativo de mulheres tem ainda de conciliar as suas atividades externas com os encargos domésticos e familiares.

Assim, não é ao acaso que o envolvimento sóciopolítico das mulheres no âmbito dos espaços públicos ainda é bastante limitado, pois as demandas advindas desse múltiplo desempenhar de papéis, certamente tornam a sua contribuição muito aquém do que se poderia desejar.

Os estudos de Alves (1999) estabelecem uma profícua discussão sobre a parca manifestação e participação feminina nos sindicatos, por exemplo. Em seus argumentos essa “ausência” se daria por alguns fatores: os baixos salários e a pouca valorização profissional da mulher tanto em empregos informais e sem estabilidade quanto naqueles formalizados. Na seqüência menciona a múltipla jornada de trabalho, o “machismo” ainda vigente que sustenta o espaço sindical como um lócus estritamente masculino e, por fim, a proeminência das “tecnologias do poder”, ou seja, muitas mulheres não se sentiriam aptas a pleitear lugares na disputa de força quando nos discursos e debates, abstendo-se dessa ação e resignando-se a cumprir tarefas.

A ponderação acima não se restringe ao ambiente sindical, pois pode ser estendida à política, à docência, à magistratura e a muitos outros campos de notoriedade social.

Na docência superior, particularmente nas universidades federais já se pode registrar maior número de mulheres nas coordenações de curso, chefias de departamento e direções de centro ou faculdades, mas sua atuação em pró-reitorias e a frente de uma reitoria ainda se mostra ínfima.

Novamente, não há neutralidade nessa realidade, pois essas funções encerram uma explícita relação de hierarquia. Nesse processo, quanto mais elevado o posto maior será a necessidade de decisões técnicas e políticas pertinentes, deliberações estas que são, ainda, culturalmente entendidas como atinentes ao âmbito masculino.

Portanto, apesar da crescente ampliação da constância feminina em diversos setores da sociedade, há que se ter claro que a diferença de gênero ainda é um dos fatores de exclusão e alijamento feminino dos espaços públicos e decisórios, pois no imaginário social a subjetividade da mulher ainda é vista como carente de objetividade e profissionalismo.

Talvez a esperança esteja no entendimento dessas diferenças como algo que possa vir a enriquecer as relações e os recintos onde estas interlocuções acontecem, buscando assim a minimização ou, quem sabe, superação do jogo de poder que se institui em todos os espaços, sejam eles públicos ou privados.

(Publicado em A Razão de 10.03.2008)

* UFSM



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