Artigos

Fundações: a vida como ela é

Por:  Diorge Konrad e Fritz Nunes*

Desde o dia 6 de novembro de 2007, a comunidade da Universidade Federal de Santa Maria se inquieta pelo desfecho de um escândalo que nunca antes tinha sido visto na instituição. A Operação Rodin, deflagrada por uma força-tarefa envolvendo órgãos de Estado, pôs a nu o uso indevido das fundações de apoio (no caso, FATEC e FUNDAE) para o que foi apontado pela Polícia Federal como uma “quadrilha” que se formou para “roubar o dinheiro público”.

É importante destacar que, em nenhum momento a Seção Sindical dos Docentes da UFSM (SEDUFSM) pré-julgou. O papel de julgar e condenar atos irregulares cabe às autoridades. No entanto, é impossível negar que o sindicato foi uma das poucas entidades, juntamente com lideranças estudantis e técnico-administrativas, que se manifestou contrariamente às distorções que ocorrem nas fundações há muito tempo. O ANDES (Sindicato Nacional Docente) possui um Grupo de Trabalho (GT Fundações) que há tempos estuda o tema e, através dos dados levantados, mostrou que as fundações “ditas” de apoio têm sido as principais responsáveis por encobrir ações no âmbito das universidades que ferem totalmente o caráter público dessas instituições.

Em outras palavras, as fundações colaboram na privatização da universidade pública.

Os alertas feitos pelo ANDES e pela própria SEDUFSM, que realizou dois eventos discutindo o assunto em 2007, sendo um deles antes do escândalo, foram desconsiderados pelos defensores incontestes das fundações. Contudo, o que era uma tese acabou se comprovando. As fundações como “caixa dois” da universidade, afirmação feita ao Jornal da SEDUFSM por um ex-procurador jurídico da UFSM, nunca foi contestada. E, infelizmente, ninguém se ruborizou com a afirmativa. O que se vê é uma tentativa de imputar tão somente às pessoas envolvidas a culpa pelo que foi descoberto.

O entendimento da SEDUFSM é diferente. Mais do que pensar que seres humanos são fracos e, portanto, sujeitos a corromper-se, é preciso refletir sobre o fato de que a estrutura como ela está montada, com o intuito de “driblar a burocracia”, favorece a outros tipos de dribles. Somos contrários ao “caixa dois”, que, no frigir dos ovos, possibilita o desvio de finalidade da universidade e, sobretudo, a privatização interna em tempos neoliberais. Continuaremos insistindo que é preciso rediscutir a estrutura universitária. Se temos problemas orçamentários e burocráticos, que os enfrentemos. A solução via fundações é uma ilusão que fez com que muitos dessem com os burros n’agua.

Não nos consideramos arautos do caos, mas não nos omitimos. Recebemos algumas críticas daqueles que entendem que devemos rejeitar os métodos, mas “salvar” as fundações. Não pensamos dessa forma. Nossos questionamentos vêm de muito tempo, não apenas depois de 6 de novembro de 2007. Todavia, nos recompensa o fato de que muitos setores da sociedade santa-mariense têm nos parabenizado pelo caráter firme e independente do nosso sindicato. (* Os autores são respectivamente assessor de imprensa e presidente da SEDUFSM)

(Publicado em A Razão de 24.03.2008)

* SEDUFSM



Compartilhe com sua rede social!

© 2017 SEDUFSM
Rua André Marques, 665 - Centro, Santa Maria, RS - 97010-041
Website por BM2 Tecnologia em Internet