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Oposição sem bandeira?

Por:  Fritz Nunes*

São inegáveis as conquistas democráticas obtidas desde o fim do regime militar, a partir da Nova República (1985) e da Constituição de 1988. De lá para cá são mais de 20 anos de experiência democrática, garantindo às gerações recentes, experiências gratificantes. Dentre os avanços podemos destacar o funcionamento pleno do Poder Legislativo. Entretanto, quando a liberdade é plena, há quem não esteja acostumado a usá-la da melhor maneira.

Nos parlamentos, reflexo da sociedade, muitos abusos são cometidos, desde o nepotismo a outros atos como o uso de mordomias e a “negociação” de votos. Entretanto, em que pesem essas máculas, temos que saudar sempre o papel dos políticos, pois, sem eles, viveríamos num sistema autoritário, sem um equilíbrio mínimo para que a oposição pudesse fiscalizar quem está no governo.

Ocorre que, muitas vezes, a dita oposição se esquece que o seu papel de propositora e fiscalizadora não pode ficar apenas no jogar lama no ventilador ou mesmo torcer para “quanto pior melhor”. De vez em quando assisto algumas sessões da Câmara de Santa Maria, me referindo a situações recentes, e observo uma oposição quase ensandecida, vituperando contra o governo federal e contra os recursos que aqui serão aportados (do PAC), pois seriam “eleitoreiros” ou peça de ficção.

Obviamente, reprisando, que a oposição tem o direito de espernear, criticar e fiscalizar os gastos governamentais. No entanto, não acredito que um político, em sã consciência, será contra recursos que irão minimizar carências históricas das comunidades periféricas, como no caso de obras em infra-estrutura e saneamento. Penso que, se a oposição realmente deseja contribuir com o debate sobre o futuro de Santa Maria, poderia levantar, por exemplo, a bandeira da radicalização da democracia.

Lembro que um dos grandes avanços nas administrações petistas, que inclusive geraram visitas de entidades internacionais a Porto Alegre, foi a implantação do Orçamento Participativo. Em tempos de pragmatismo político, o tema parece esquecido. Afinal, aonde foi parar um dos pontos de honra dos governos do PT, que é o da participação popular? Talvez não seja o tipo de debate que agrade a certos setores da oposição.

(Artigo publicado no jornal Diário de Santa Maria de 14.04.2008)

* SEDUFSM



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