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Professores: que carreira, que vencimentos?

Por:  Diorge Konrad e Ricardo Rondinel*

Para os professores das universidades federais, o Governo Lula continuou com a política salarial dos governos anteriores. Desde Collor, os Vencimentos Básicos (VB) têm ficado quase congelados. Ao longo dos anos, as perdas inflacionárias passaram a ser repostas com índices inferiores. Primeiro, com a criação da Gratificação de Atividade Executiva (GAE), em 1992, e depois, a partir de 1998, com a criação da Gratificação de Estímulo à Docência (GED). As sucessivas greves foram sempre em defesa dos salários. Sem elas, a situação seria, sem dúvida, muito pior.

Hoje apenas um quarto (1/4) da remuneração dos docentes é representada pelo vencimento básico. A política de criação de “novas gratificações” destruiu o Plano de Carreira. Houve achatamento da tabela salarial, principalmente dos de menor titulação, como graduados, com aperfeiçoamento e especialistas, bem como dos aposentados. Na campanha salarial de 2007, o Governo se dispôs, mais uma vez, a continuar reajustando “as gratificações”, aprofundando as diferenças salariais entre ativos e aposentados.

Em síntese, a proposta do Governo, em 2007, que deveria ter sido implementada já em março de 2008, pretende encerrar a discussão salarial por três anos, até 2010. Até lá o cenário inflacionário é totalmente imprevisível. O petróleo já beira os U$120 o barril, quando era US$ 25 em 2002. Os alimentos têm uma tendência de alta mundial. Tudo isto vai se refletir em pressões inflacionárias e com isto quem perde sempre são os assalariados. Aceitar um acordo salarial por três anos, sem ter a garantia real de proteção contra a inflação foi algo muito temerário.

Cheque em branco para o governo por três anos, não recuperação das perdas salariais passadas, além de colocar na “bandeja” parte significativa dos ativos e aposentados, arrochando ainda mais os seus vencimentos: eis as razões fundamentais para que nosso Sindicato continue na busca pela ampliação das negociações. Nenhum dirigente sindical que defenda realmente a sua base poderia colocá-la em oposição entre seus pares, nem concordar com um “acordo” de cima para baixo, que retirasse ganhos de uma parcela da categoria para favorecer a ponta de cima da mesma. Ou dirigimos uma entidade defendendo o conjunto dos professores universitários, ou o sindicalismo docente estará esfacelado, colocando titulados diferentes em concorrência entre si.

Além disso, se os professores universitários já têm ganhos diferenciados por titulação, característica meritória de qualquer carreira, é de se perguntar: os índices inflacionários são diferentes para um doutor ou um recém-graduado, para um ativo ou um aposentado?

(Artigo publicado no Jornal A Razão no dia 28 de abril de 2008)

* SEDUFSM



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