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O político corrupto: réu nato

Por:  Nilton Bertoldo*

A fisiognomia foi uma pseudociência que associava traços da face e conformação de outros órgãos do corpo humano a características e disposições morais.

Aristóteles lembrando que as grandes extremidades são o sinal exterior da coragem do leão, já chegava à conclusão que um homem com pés grandes não poderia deixar de ser corajoso. Barthélemy Coclès, no Renascimento, traçava desenhos de frontes de homens cúpidos, irascíveis ou cruéis e até mesmo a barba de um indivíduo dominador e brutal. Jean d’Indagine demonstrava que os homens cruéis possuíam dentes salientes e pelos olhos era possível reconhecer sujeitos traidores e mentirosos. Em 1586, Della

Porta comparou a face de muitos animais com rostos humanos, fascinando o público com imagens de homem-leão, homem-ovelha ou homem-asno, pois partia da convicção filosófica de que a potência divina manifestava sua sabedoria reguladora também nos traços físicos, estabelecendo analogias entre mundo animal e mundo humano. Lavater examinava igualmente as feições de certos personagens históricos, pois estava convencido de que existem harmonias sutis entre corpo e alma e de que a virtude embeleza, enquanto o vício enfeia. Posteriormente, surge a frenologia de Gall: todas as faculdades morais, instintos e sentimentos têm sua representação na superfície do cérebro e aqueles que possuem elevadas qualidades mnemônicas, por exemplo, têm crânio arredondado com olhos protuberantes e muito afastados um do outro.

Todavia, no positivismo do século XIX, destacam-se, no campo da antropologia criminal, as teses de Cesare Lombroso, que, em seu ensaio “O homem delinqüente”, tentava demonstrar que os traços da mente criminosa estavam sempre associados a anomalias somáticas.

Pois eu enquadro o político brasileiro corrupto nestas assertivas históricas e sugiro ao leitor que observe bem os políticos de sua região e identifique o corrupto rotulando-o como réu nato. Certas características estão presentes neste tipo de escória da sociedade: nega tudo sempre com grande cara-de-pau (“não sei, não vi, não fui eu”), rouba quando pode, é portador de completa insensibilidade moral não sente qualquer remorso, é covarde e mentiroso, demonstra grande vaidade, é supersticioso, apresenta suscetibilidade exagerada do próprio eu e até o conceito relativo da divindade e da moral. É vil, tosco, mesquinho, insular, criminoso, nojento, espectral, bruxesco, repelente, asqueroso, banal, arbitrário, nauseabundo, ignóbil, intolerável, hediondo, sujo, obsceno, abjeto, grotesco, abominável, odioso, imundo, indecente, etc. É como erva daninha, que se estende para todos os lados. É como um tumor maligno que espalha suas metástases. É como uma infecção grave que debilita e contamina tudo. E como tal merece um tratamento adequado...

(Artigo publicado no jornal A Razão no dia 5 de maio de 2008)

* UFSM



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