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Os preços dos alimentos e a inflação

Por:  Adayr da Silva Ilha*

A agricultura desempenha uma função estratégica em qualquer país. Tem o papel de ajudar na estabilidade macroeconômica. Até o ano passado o petróleo, com a elevação de seus preços, vinha sendo a maior preocupação do planeta. A partir desse ano, embora os preços do petróleo continuem a subir, a segurança alimentar passa a ser o centro das discussões. O que mudou de lá para cá? Para entender-se como se deu essa brusca mudança é preciso explicar como se dá a demanda por alimentos. Há hoje um elevado percentual da população mundial com carência de alimentos, são os chamados subnutridos que habitam os países mais pobres. A demanda por alimentos é explicada por três componentes, que são: crescimento vegetativo da população, crescimento da renda e elasticidade-renda da demanda. Há um dito popular que diz: “não é por não ter fome que o mendigo não vai ao banquete, é por não ter roupa”. Assim, pode-se dizer do pobre: ele não consome alimentos por não ter fome, é por não ter renda. À medida que a renda aumenta para a faixa da população mais pobre, aumenta a demanda por cereais básicos como feijão, arroz, trigo etc.. Quando esse aumento de renda atinge a população de renda um pouco mais alta, cresce a demanda por alimentos mais ricos em proteínas de origem animal e vegetal. Nos países ricos essas demandas por alimentos estão plenamente satisfeitas.

O que está ocorrendo hoje é um elevado crescimento da renda em países em desenvolvimento, de grande contingente populacional como China, Índia, Rússia, Brasil e muitos outros. À medida em que a renda cresce nesses países há um processo de inclusão e um aumento do consumo de bens de alimentação.

Como os preços dos alimentos afetam os índices de inflação? A explicação é simples: quando os preços dos alimentos sobem no meio urbano, os salários reais dos trabalhadores de mais baixa renda caem, por que esses gastam um percentual alto de seus salários com alimentos. Para recompor seus salários reais esses trabalhadores, via sindicatos, vão reedificar aumentos de salários nominais que uma vez concedidos, por empresas que são oligopólios, vão repassar esses custos para seus produtos industriais, sancionando, assim, a chamada espiral inflacionária preços-salários.

Muitas vezes nos perguntamos por que o preço de determinado produto aumenta se tem oferta suficiente. A explicação é que esses produtos que têm mercado externo, são as chamadas commodities, que têm seus preços cotados em dólares. É o preço que se paga à inserção no mundo globalizado.

(Artigo publicado no jornal A Razão no dia 19 de maio de 2008)

* UFSM



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