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Tristes marcas de nossa história

Por:  Fritz Nunes*

De tempos em tempos, diante de fatos graves que ocorrem, nos obrigamos a lembrar de certas marcas negativas na história do Brasil. Assim como em outros países latino-americanos, tivemos longos períodos vividos sob regime autoritário, sendo o mais recente deles de 1964 a 1984. Um outro estigma importante se refere ao fato de termos sido a última nação a abolir a escravidão. Reflexos desse processo de formação, ao longo desses séculos, se fazem sentir até hoje. Num país em que a universidade não chegou sequer completar 100 anos, o Brasil é sempre citado como um dos que possui a pior distribuição de renda planetária.

Estabelecer esses parâmetros pode parecer pessimista para muitas pessoas, porém, diante de fatos recentes ocorridos no Rio Grande do Sul e no país, acabam por demonstram que não adianta tentarmos vender um falso otimismo. O Brasil pode ser considerado pelos mercados internacionais como uma grande fonte de rentabilidade, etc., etc., no entanto, do ponto de vista prático, vivenciamos barbaridades que certamente envergonha a todos.

No Rio Grande do Sul, os escândalos se amontoam, e o que observamos de algumas de nossas “forças vivas”? Eles não vêm a público se indignar contra a roubalheira, mas expressar preocupação porque a sucessão de fatos “negativos” pode afetar os investimentos no estado. A Policia Militar gaúcha, ao invés de proteger a população, reprime duramente os protestos, desvirtuando o conceito de democracia, construindo uma idéia de liberdade de expressão aos moldes da visão da governadora. É a velha cantilena de que movimentos sociais são “desocupados” e que por isso devem ser tratados como caso de polícia.

E, se não bastassem os exemplos vergonhosos da política gaúcha, o fato mais recente, que deveria deixar a todos indignados, vem do Rio de Janeiro. Um grupo de 11 militares do Exército prendeu três jovens favelados, por “coincidência”, negros, e os entregaram aos traficantes de uma favela rival, onde foram assassinados. Como se vê, apesar do fim da ditadura, do fim da escravidão, a cidadania e a democracia no Brasil ainda são conceitos abstratos para uma sociedade permeada pela exclusão social.

(Artigo publidado no jornal Diário de Santa Maria no dia 20 de junho de 2008)

* SEDUFSM



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