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Benetti: quinto reitor da UFSM

Por:  Clóvis Guterres*

Venho fazendo levantamento de documentação com vistas a uma possível análise das origens e desenvolvimento da Universidade. Neste momento, ainda surpreso e consternado com o falecimento do Prof. Gilberto Aquino Benetti, aventuro-me a uma antecipação dessas reflexões, incentivado por colegas que atribuem, apropriadamente, um grande valor histórico à gestão deste Reitor.

Se analisarmos a trajetória da UFSM desde a criação da Faculdade de Farmácia na década de 1930 até os dias de hoje, podemos dividi-la em três momentos bem marcados. O primeiro, iniciado com a Faculdade mencionada, culmina no final da década de 1950 com a criação de várias faculdades que vão proporcionar as condições para a fundação da nossa universidade. O segundo momento inicia, portanto, com a criação da, inicialmente denominada, Universidade de Santa Maria, USM, com a gestão do primeiro Reitor, Prof. José Mariano da Rocha Filho, que administra a universidade por um período correspondente a quatro mandatos (1960/1973). Sucedem-lhe os professores: Hélios H.Bernardi (11/121973 a 10/12/1977 ); Derblay Galvão (12/12/1977 a 10/12/1981) e Armando Valandro (10/12/1981 a 10/12/1985), no contexto da ditadura iniciada em 1964 e em encerrada em 1985. O terceiro momento inicia com a Gestão do Prof. Benetti no contexto de lutas pela redemocratização do País e das suas instituições e, em especial a Universidade Pública. O retorno ao estado de direito e a democracia plena no País e a consolidação das eleições diretas na universidade são as marcas históricas desse período.

Benetti inicia sua vida acadêmica na UFSM formando-se em engenharia civil, em 1966. No ano seguinte ingressa como docente na categoria de auxiliar de ensino. Em 1968, já se encontra na Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ fazendo o curso de Mestrado na COPPE, um dos mais antigos e prestigiados cursos de pós-graduação do País, concluindo-o em 1971. Sua carreira administrativa iniciada ainda antes de concluir o Mestrado, como chefe de departamento e, sucessivamente, como diretor de núcleo, coordenador de curso culmina no final da década como Diretor do Centro de Tecnologia cuja direção exerce até 1981. Na década de 1970 foi ainda Presidente da Associação dos Professores Universitários de Santa Maria (APUSM) na gestão 1973/75. Também foi Diretor-Presidente da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (FATEC) de 1979 a 1982.

Essa trajetória, entre outras atividades, de caráter acadêmico, administrativa e político-associativa lhe granjearam prestígio e credibilidade junto à comunidade acadêmica de tal forma que foi escolhido como Reitor na primeira eleição direta para suceder Derblay Galvão. Benetti não foi nomeado, mas a comunidade não abriria mão nem do processo nem do seu nome. Em 1985, na segunda eleição direta, mais uma vez seu nome foi confirmado pela comunidade e, após novos enfrentamentos com Brasília, foi nomeado para exercer o cargo de Reitor para o período 1985/1989. (Continua)

(Artigo publicado no jornal A Razão do dia 7 de julho de 2008)

* SEDUFSM



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