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Benetti: o quinto reitor da UFSM (II)

Por:  Clóvis Guterres*

Em continuidade ao texto anterior examinaremos com mais detalhes o processo de eleição do Prof. Benetti. Em 1985 iniciara a Nova República, com José Sarney assumindo interinamente o governo em 15 de março, uma vez que Tancredo Neves adoecera. Com a morte de Tancredo, em 21 de abril, Sarney assume oficialmente, no dia seguinte, o cargo de Presidente da República.

No contexto da redemocratização do País, APUSM, ABS e DCE assumiram a organização e a condução do processo de eleição direta para reitor. Após aprovar o sistema paritário nas assembléias de cada segmento, constituiu-se a comissão eleitoral, a qual me coube a honra de presidi-la. Nos dias 26 e 27 de junho, a comunidade acadêmica participou massivamente, tendo votado 10.424 eleitores de um total de 12.628 habilitados a votar. Benetti obteve 4.635 votos; Tabajara 3.383; José Fernandes 2.146 e José Sales Mariano da Rocha, 521.

A eleição direta para Reitor na UFSM teve repercussão nacional, recebendo o apoio da ANDES, reunida no XI CONAD, em 30 de junho, mediante documento subscrito por 35 Associações (ADs) e encaminhado ao ministro Marco Maciel.

Em 19 de julho, em reunião conjunta dos Conselhos, o compromisso com a comunidade foi respeitado. No primeiro escrutínio, Benetti recebeu 50 votos e 18 em branco. No segundo escrutínio, os conselheiros confirmam suas posições com 64 votos em branco, 2 nulos, 1 em Wardereza Schmidt e 1 em Paulo Sarkis. No terceiro escrutínio, a votação se repete de forma contundente com 66 votos em branco, 1 para Ony Lacerda e 1 para Olindo Toaldo. Sem alternativas, o reitor de então decidiu enviar a cópia da Ata para o ministro da Educação.

Apesar das pressões sobre o MEC, Marco Maciel, para evitar precedentes, devolveu a lista para ser completada. Assim, tendo em vista possíveis problemas legais, a lista foi preenchida com membros dos Conselhos. Em novembro de 1985, Benetti foi nomeado e tomou posse em 23 de dezembro com a denominação de “reitor democrático”. A eleição direta para reitor tornou-se uma referência e uma conquista não só na e para a UFSM, mas para todas as Universidades Públicas do País.

A Gestão Benetti, 1985/1989, atravessa um período turbulento e de grande significado histórico. No que se refere ao contexto nacional, o País procura livrar-se da herança autoritária através da restauração de um novo ordenamento jurídico, com um processo constituinte, que culmina com a promulgação da nova Constituição, em 1988. As tentativas de superação da crise econômica com o Plano Cruzado, do Plano Bresser e do Plano de Maílson da Nóbrega resultaram infrutíferos. Na educação superior, o ministro Marco Maciel lança o Programa “Nova Universidade”, criticado pelo movimento docente como clientelista e privatista. A instabilidade da área da educação se pode ver pela sucessão de greves e ministros: Marco Maciel, Jorge Bornhausen, Hugo Napoleão e Carlos Santana. (Continua)

(Artigo publicado no jornal A Razão do dia 14 de julho de 2008)

* SEDUFSM



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