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Uma transição com qualidade

Por:  Ricardo Rossato*

Tendo participado diretamente, num breve período como Pró-Reitor de Extensão, e posteriormente como Vice-Reitor da administração do professor Gilberto Aquino Benetti, tive oportunidade de estar presente em todos os momentos daquele período. Tentarei recuperar alguns dos elementos mais significativos e marcantes daquela gestão, correndo o risco de esquecer alguns e, evidentemente, dar maior destaque a outros que, na minha ótica, foram fundamentais. Pretendo, portanto, analisar com que viu e vê de dentro aquele momento.

Sem dúvida, o primeiro ponto a observar diz respeito à consciência que tínhamos do momento que vivíamos. Assim como todo o país saía do regime autoritário dos mais de 20 anos em que os militares estiveram no poder, a universidade, que sempre tivera um destacado papel no cenário nacional também buscava novos caminhos tanto em nível macro como no nível micro. A caminhada que se forjara durante longos anos de toda a instituição com movimentos marcantes dos três grandes segmentos que a compõem, indicava para novos rumos. Cabe notar que boa parte dos membros que assumiram postos-chaves da Administração haviam passado pelo movimento docente universitário, e participado de movimentos de greve e de reivindicação social, notadamente buscando melhores condições de trabalho e uma democratização interna da universidade que vivia sob os efeitos das reformas 5540, 5692 e dos numerosos decretos e atos institucionais dos governos autoritários, especialmente o famigerado AI- 5 de 1968. O próprio reitor fora presidente da APUSM anteriormente.

No meu caso também havia exercido esta função no período imediatamente anterior ao do professor Clóvis Guterres, gestão na qual ocorreram as eleições que desembocaram no processo de democratização nos mais diversos escalões da universidade. Aliás, este processo já se fazia na base, pois já se conseguira que numerosos departamentos e coordenações tivessem seus chefes, coordenadores e os diretores de centro ou já haviam sido eleitos diretamente ou aderiram com clareza aos novos processos.

Tratava-se, portanto, de uma mudança de postura e de atitude, mais do que de uma mudança de nomes e de pessoas. Para nós, esta questão estava clara. Nós mesmos nos impúnhamos a necessidade de uma administração transparente, com decisões participativas, abertas e mais solidárias. Isto representava muitas rupturas, pois a legislação que vigorava era extremamente conservadora como assinalei e, como sempre acontece, os setores tradicionais continuavam muito vivos e atentos para manter ou recuperar valores e postos ou defender idéias que julgavam que deveriam continuar. Sem dúvida travou-se uma batalha ideológica em que se definiram muitas posições.

(Artigo publicado no jornal A Razão do dia 21 de julho de 2008)

* SEDUFSM



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