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Uma transição com qualidade (II)

Por:  Ricardo Rossato*

Nestas linhas mais algumas reflexões sobre a gestão do professor Gilberto Benetti como reitor da UFSM. Além dos políticos indicados no artigo anterior, uma questão da qual o reitor jamais arredou pé: a ética. Tendo pautado sua vida profissional pela correção, grandeza e honradez ímpares, nunca tínhamos dúvidas sobre as posições que a equipe deveria assumir neste ponto: isto era absolutamente inegociável e inquestionável: a ética deveria ser preservada. A universidade sempre era vista como um bem público mantido pelo povo brasileiro, e deveria primar como instituição modelar para a sociedade. Destaco neste momento três atitudes, à época, profundamente inovadoras: o vice-reitor e os pró-reitores deixariam de usar carros da universidade para o seu deslocamento normal, somente utilizando quando a serviço. A outra atitude dizia respeito aos pró-reitores, que deixariam de votar nos conselhos superiores para preservar uma maior representatividade das categorias. E a terceira: aboliu os ‘jetons’ que os membros dos Conselhos recebiam pelas sessões.

O projeto de democratização foi levado adiante com segurança apesar das resistências: já no segundo ano de gestão se consolidava este processo e registrava-se que todos os ocupantes de cargos na universidade haviam sido eleitos por seus pares: chefes de departamentos, coordenadores, diretores de centro e ocupantes das demais funções. A universidade, no final dos anos 80, enfrentava novos desafios: fazia-se necessário um salto de qualidade acadêmica e isto implicava em profundas mudanças em todos os setores. O prof. Benetti, com muita lucidez, permitiu ampla autonomia para as pró-reitorias. Merece especial menção o esforço para dotar a universidade de meios mais adequados para a administração e para as demais atividades: foi feito um imenso esforço visando expandir a então incipiente rede de informática para todos os setores. Embora, não se tenha conseguido tudo o que se desejava, foi um passo fundamental.

A pós-graduação e a graduação tiveram uma atenção constante, para colocá-las a serviço dos diferentes setores.Havia uma preocupação permanente em relação à necessidade de qualificar os cursos, coordenações, departamentos e implantar políticas permanentes de melhoria docente e administrativa.Discutiu-se por bom tempo, se já era hora de implantar o primeiro doutorado na UFSM: coisa que acabou acontecendo tornando-se simbólico o empenho para melhorar toda a instituição.Também procurou-se diminuir o aspecto cartorial da universidade como um todo.

Foram abertos novos espaços políticos às diferentes instâncias. Por fim, por ter vivido intensamente e ter estado presente em toda a gestão do Benetti, não poderia deixar de render uma homenagem, ainda emocionado, e sentindo a sua perda prematura. Tratava-se de uma pessoa correta, íntegra, ética, digna que honrou a universidade nos dias em que participou da administração e de todo o seu percurso como aluno, professor e reitor.

(Artigo publicado no jornal A Razão do dia 28 de julho de 2008)

* SEDUFSM



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