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Sindicato “chapa branca”

Por:  Sérgio Alfredo Massen Prieb*

Desde que no século XIX, sob a revolução industrial, os trabalhadores começaram a se organizar para responder à super-exploração do trabalho, resultado das jornadas de trabalho abusivas impostas a eles, criando as primeiras associações e sindicatos de trabalhadores, uma certeza veio à tona: era necessário a união dos trabalhadores para enfrentar os interesses do capital.

Partindo desta análise básica de que a arma do trabalhador é a sua unidade, fui surpreendido com um edital publicado nos principais jornais do país, no último dia 04 de agosto chamando os professores das IFES para uma Assembléia de Fundação de um tal “Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público Federal”, a ser realizada na sede da CUT em São Paulo, no próximo dia 06 de setembro. Sendo que inclusive um dos signatários foi candidato a presidente da Sedufsm pela chapa “Novos Rumos” na eleição de maio.

Algumas questões ficam no ar: 1) É estranho um grupo de professores chamar uma Assembléia para criar um sindicato, já existindo um que os represente, o Andes-SN, cuja trajetória em defesa dos princípios históricos do movimento docente é reconhecido por todos; 2) gostaríamos de saber a quem interessa a criação de um novo sindicato, um sindicato paralelo, que deve dividir ainda mais a nossa categoria. Assim sendo, a cisão no movimento docente, não temos dúvida, só interessa ao governo federal, o mesmo governo que incentivou a criação da entidade (Proifes) que está organizando a tal Assembléia de Fundação do novo sindicato. É bom lembrar que o Proifes é resultado de uma reunião realizada com um grupo de professores (que se tornaram dirigentes do Proifes) no Ministério da Educação, com a presença de Tarso Genro, Fernando Haddad entre outros, tratando “da criação de um organismo, um fórum, que trate dos interesses exclusivos das Instituições Federais de Ensino Superior” (existe uma documentação disponível na Sedufsm que comprova que esta reunião ocorreu no dia 14/09/2004 iniciando por volta das 19h30minh); 3) temos curiosidade em saber quem financia o Proifes. É sabido que divulgar um espaço como o utilizado pelo edital nos principais jornais do país não é nada barato.

Vê-se assim, que o que se está buscando é construir um sindicato “chapa branca”, que tenha uma postura semelhante à postura que o Proifes teve quando negociou com o governo federal a MP 431/08 (passando por cima da decisão da base do Andes-SN que se manifestou contra a proposta). Foi centrado na defesa da unidade do movimento docente, contra o divisionismo e paralelismo sindical, que a chapa que assumiu a Sedufsm em junho intitula-se “Unidade Docente”. Vida longa à Sedufsm e ao Andes-SN, não aos sindicatos “chapa branca”.

(Artigo publicado no jornal A Razão do dia 25 de agosto de 2008)

* UFSM



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