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Por um outro olimpismo

Por:  Maristela da Silva Souza*

Nascidos na Grécia, os jogos olímpicos transformaram-se de festivais esportivos a divertimentos bárbaros, caíram em decadência pela ociosidade e desinteresse dos jovens romanos, vindo a renascer em 1896 pelas mãos do Barão de Coubertin, que apresentou ao mundo inteiro o ideal olímpico da união entre os povos e a possibilidade do jogo leal e justo. Por hora, podemos continuar esta história, assistindo os atletas brasileiros nas olimpíadas de Pequim, e que demonstram, com mais precisão, onde foi parar o espírito olímpico.

O que assistimos em meio ao ufanismo das narrações? Jovens secando lágrimas, ferindo joelhos, mãos, tornozelos. Tudo isso para quê? Para se manterem no sistema e atingirem a meta proposta pelo Ministério dos Esportes, que pelos 400 milhões repassados para a preparação olímpica, objetivam ficar entre os 10 primeiros do mundo até o ano de 2016. Junte-se a isso o sonho da China de bater os Estados Unidos no quadro de medalhas. Enquanto isso, e em nome da “mercantilização” do espetáculo esportivo, apenas 12% de nossa rede escolar tem quadras de esporte e a população perde, cada vez mais, o esporte enquanto bem público.

Que bom seria se pudéssemos fazer parte de outro espetáculo esportivo, com outras metas e objetivos. Aquele em que os praticantes do esporte não lutassem “contra” a água, “contra” a bola, “contra” o outro, colocando o prazer no cronômetro e sim que tivessem prazer em “estar” na água, de “brincar” com a bola, e jogar “com” o outro. E, quando cansados de tanto divertimento, pudéssemos assistir a um esporte, não somente de lances mágicos, sobre-humanos, mas sim, o esporte-arte, aquele em que os atletas, trabalhadores do esporte, não fossem violentados em sua dignidade e explorados pelos senhores dos anéis. Por fim, lutemos pelo direito a um esporte que nos traga alegria, mas não aquela alegria fútil e passageira do podium e das medalhas douradas, que nos ensinam a ser mais fortes e mais rápidos e sim, aquela prática de esporte que nos ensina a ser mais conscientes e críticos, que nos ensina como declara Mattielo (2005), que o ouro não vale a vida das pessoas, mas que todas as pessoas valem ouro.

(Artigo publicado no jornal Diário de Santa Maria do dia 26 de agosto de 2008)

* SEDUFSM



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