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A serviço da submissão sindical

Por:  Rondon de Castro*

Existem várias facetas que podem ser expostas quando se fala da criação de um novo sindicato nacional de professores universitários. Simplificando a questão: não pode legalmente haver mais de um sindicato para representar uma mesma base. Isso, portanto, é ponto pacífico e podemos deixar de lado o fato jurídico, que condena abertamente a quebra da unicidade sindical. É dizer que, ao arrepio da legislação que nos orienta, os professores que insistem em construir um aparelho sindical nos moldes que estão sendo pregados, cometem o pecado de mergulharem na irregularidade. E me arrisco em ver certa imoralidade. Afinal, qual seria a finalidade dessa nova entidade? Certamente que não é pela unidade dos professores, já que preferem ignorar a democracia do movimento docente e optam por uma política de fragmentação, escondendo-se atrás de medidas governamentais providas de evidente má fé. Ao suspenderem o registro sindical do Andes (em 2003), o atual e – definitivamente – legítimo representante dos docentes, o Judiciário e o próprio Ministério do Trabalho apenas causaram o desconforto de uma situação que, cedo o tarde, deverá ser resolvida.

Enquanto não se resolve, a circunstância navega em torno do “sob júdice”. Em outras palavras, o ANDES, ainda é, legalmente, o sindicato dos professores. Assim sendo, além do resvalo jurídico que significa essa suspensão, a suposta aceitação legal de um novo sindicato nacional, no lugar do ANDES, revelará um fragrante ataque aos preceitos democráticos que defendemos. Durante o regime militar, o governo insistia no reconhecimento de entidades “satélites” no movimento estudantil, impondo a criação de Diretórios (Estaduais dos Estudantes), em contraposição às legítimas Uniões Estaduais dos Estudantes. A aqueles apoiadores e colaboradores das DEEs, fiéis e submissos servidores, os recursos não faltavam, assim como as retribuições pela fragmentação do então movimento estudantil. Era evidente o interesse governamental na divisão de um explosivo e contestador segmento. Falharam. As UEEs se mantiveram por serem os verdadeiros e democráticos representantes dos estudantes. E, principalmente, a ditadura acabou logo nas primeiras ondas movimento democrático.

Alguns estudantes daqueles tempos estão atualmente no governo ou, mesmo, nas universidades como docentes. A mesma tática do regime militar é utilizada, dessa vez contra os docentes de ensino superior e por aqueles que já a condenou. Novamente, com o apoio governamental (que os apóia judicialmente e institucionalmente), e de uma central sindical (CUT) há muito transformada em caixa de ressonância dos ocupantes do Planalto, uma entidade fantoche se estrutura. Se irá conseguir, a história é outra. O que é relevante no momento é que, o sucesso desse golpe apenas atrairá o repúdio. O mesmo que os estudantes manifestaram durante a ditadura.

(Artigo publicado no jornal A Razão do dia 08 de setembro de 2008)

* UFSM



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