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O valor do sal

Por:  Rondon de Castro*

Em outros tempos, ouvia-se muito os velhos falarem: aquele não vale o sal que come. E cuspiam. Referiam-se àqueles sujeitos, que de maneira duvidosa, prejudicavam os demais. Seja ocasionalmente, ou por falha moral sistêmica . É o caso do suposto sindicato nacional ProIfes (Fórum dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior), entidade criada a portas fechadas e defendidas por seguranças contratados para impedir que professores universitários entrassem na sede paulistana da CUT Nacional.

Sermos barrados por desconhecidos contratados para serem trogloditas é uma coisa, vermos um colega de UFSM afirmar que nós não somos docentes da sua própria instituição (para justificar o não credenciamento para a assembléia) é algo bem maior e mais ofensivo. Muito mais complicado e esclarecedor, é um ex-presidente da nossa seção sindical (Sedufsm), faltar com a verdade sobre um credenciamento matinal inexistente. E isso, para colegas da mesma UFSM que estiveram ali, para participar democraticamente da votação. Votaríamos contrariamente à criação desse apêndice da política governamental, mas tínhamos o direito de estar ali, de sermos tratados com o respeito que ele próprio, docente da UFSM sempre recebeu em assembléia e nos votos que o elegeram a defender no passado uma seção sindical do ANDES-SN.

Dizer que defende a categoria é puro jogo de cena. Os métodos anti-democráticos, surgidos a partir do momento que concordaram em servir de caixa de ressonância do governo (fato documentado) , não se limitam a dar uma alternativa ao movimento docente, mas ao desrespeito à democracia sindical que esse mesmo cidadão aproveitou para galgar espaço e exprimir suas opiniões. Sintomaticamente, membros de sua chapa (aquela que perdeu por três valiosos votos para a Unidade Docente) negam saber dessa tendência ou intenção de dividir a categoria.

O ANDES-SN é o representante legítimo dos docentes das universidades. Lutamos contra um governo que exige um movimento sindical domesticado e de gabinete (conseguido, como se vê, pelos métodos do peleguismo que pensamos ter derrotado na ditadura), e agora, contra colegas que não jogam às claras. E como os antigos diriam, aqueles que se opõem à democracia não valem o sal que comem. E cuspo.

(Artigo publicado no jornal A Razão do dia 22 de setembro de 2008)

* UFSM



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