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Aconteceu em 6 de setembro

Por:  Ester Wayne Nogueira e Maria Beatriz de Morais Carnielutti*

Estávamos lá. Iniciava o mês de setembro, muito sol e bastante calor. Eram 14 horas e 15 minutos quando os ônibus estacionaram. Era uma rua estreita, no Brás, em São Paulo. As 200 pessoas que para lá se deslocaram, ao descer, lotaram as calçadas. As demais disputavam o espaço vazio da rua com os automóveis. A ordem rapidamente foi dada, formar fila para organizar a entrada, era um prédio de dois pisos, a porta de tamanho padrão e o auditório parecia estar localizado no primeiro andar. A burocracia mostrou sua cara, que nem sempre é simpática. Deveríamos estar munidos de carteira de identidade e documento que comprovasse sermos lotados em uma universidade federal, para poder participar da Assembléia. Cumprimos perfeitamente o exigido, portávamos o nosso contracheque e a carteira de identidade. Inicia o bailado, apresenta a documentação, preenche a ficha, passa por revista, o celular e máquina fotográfica são os primeiros a sofrerem a punição. São censurados, uma tarja branca dá o cala-te boca, e a rubrica é posta, para comprovar que não haveria burla dos colegas. Sim, porque ali todos éramos colegas, todos professores universitários. Este brinquedinho levava mais ou menos de 10 a 15 minutos. Após o cumprimento destas etapas era permitido subir até ao auditório.

Na rua tomamos conhecimento que a pontualidade vigorava. Às 15 horas foi dada como aberta a sessão, com a presença de 110 participantes e de 485 procurações. Superlotação, pois o local parecia permitir a presença de umas 100 pessoas. A “pau e corda”, com muita dificuldade, conseguiram subir quatro professores, dos 200 que se deslocaram de várias partes do país e representavam 36 Seções Sindicais, filiadas ao ANDES-SN. A tensão era grande, estávamos conscientes que teríamos dificuldade de fazer a fila caminhar e desta forma a possibilidade de defendermos o ANDES/SN ficaria reduzida ao número de professores que fossem alçados ao primeiro andar. A morosidade para a liberação dos professores contrastava com a agilidade das deliberações. Às 15h15min foi anunciado o encerramento da Assembléia, com a aprovação, em exatos 15 minutos, da criação de um Sindicato, a escolha de seus dirigentes e o Estatuto da nova entidade. Em tempo de “chips” e robôs até podemos entender a rapidez das discussões e das aprovações. Pena, as “procurações” devem ter se sentido ridículas e desatualizadas.

(Artigo publicado no jornal A Razão do dia 29 de setembro de 2008)

* SEDUFSM



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