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Professor: salário aviltado

Por:  Helio Neis*

Talvez, uma das afirmações menos contestadas, no contexto do mundo moderno, seja a de que um país cons-trói-se sobre os alicerces de uma sólida formação escolar. Se nos dedicarmos a pesquisar a relação existente entre a escolaridade e o desenvolvimento das nações, essa relação se tornará explícita. Recente pesquisa da UNESCO constatou que, no Brasil, a cada ano de escolaridade corresponde um incremento de 15% nos ganhos pecuniários doas pessoas. Infelizmente, o país, ao longo da história, descurou criminosamente a educação de seu povo.

Em razão disso, são animadoras as notícias de criação de mais vagas e novos centros federais de ensino, tanto em nível superior, quanto tecnológico e técnico. É muito bom, também, a implementação do número de vagas nas u-niversidades federais. Afinal, se queremos que o país cresça, amplie sua capacidade de geração de emprego e renda, o melhor caminho é uma educação sólida e competente.

Para que isso aconteça, há necessidade de condições como a conscientização da família sobre seu papel deci-sivo na formação dos cidadãos e a melhoria do ensino nos ciclos básicos, técnicos e universitários para que tenham competência na formação técnica e humanística de seus alunos.

Limitando-nos à problemática das escolas e universidades, é preciso que, em primeiro lugar, os professores te-nham sólida formação. Em seguida, que tenham uma carga de trabalho compatível com a possibilidade de cumprir sua função docente e não apenas limitar-se a estar frente aos alunos, em certos períodos. Além disso, escolas e uni-versidades têm que ter recursos financeiros, livros e equipamentos suficientes e atualizados para dinamizar a apren-dizagem. Deve-se ressaltar a necessidade de uma remuneração à altura da importância de sua atividade, para que o professor possa executar seu trabalho com dedicação e tranqüilidade.

Nos últimos meses a imprensa publicou vários Editais para concurso de professor substituto, para a Universi-dade Federal de Santa Maria. O que chama a atenção é a aviltante remuneração oferecida a quem se submete a es-se processo de seleção. Para quem concorrer à carga de 20 horas semanais, não importando se tem graduação, mestrado ou doutorado, a remuneração é de R$ 415,00 mensais bruto – isto é – um salário mínimo. Significa que, se calcularmos 4,5 semanas por mês, o professor receberá R$ 4,61 por hora trabalhada. Para quem concorre à carga de 40 horas semanais, é oferecida a remuneração de R$ 766,45. Aplicando o mesmo cálculo, receberá R$ 4,25. Fica e-vidente que com essa remuneração nenhum professor poderá executar seu trabalho com dedicação e tranqüilidade.

(Publicado no Diário de Santa Maria no dia 03.10.2008)

* SEDUFSM



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