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Os segredos da tarifa de ônibus

Por:  Ricardo Rondinel*

Em março de 2006, os empresários do transporte coletivo, através da sua entidade de classe (ATU), apresentaram uma proposta de aumento da passagem urbana de R$1,60 para R$ 2,00. Diziam eles, à época, que se esse valor não fosse aprovado, as empresas teriam prejuízos. Em novembro de 2006, a tarifa de ônibus urbanos foi aumentada para R$ 1,80, ou seja, 20 centavos a menos que o valor pretendido por eles.

Transcorridos dois anos, volta-se à mesma discussão. A ATU pede agora R$ 2,17. O Conselho Municipal dos Transportes aprovou um aumento para R$ 2,00. O mais interessante é que nos dois últimos anos as empresas de ônibus não faliram. Com uma tarifa de R$ 1,80, portanto com 20 centavos de “prejuízo” por passageiro, entre 2006 e 2008 deveria ter ocorrido um rombo aproximado de R$ 11,6 milhões. Entretanto, para surpresa geral, nesse período, os empresários compraram 36 ônibus novos.

Ora, quem alegava ter um prejuízo de 11% porque não se aprovou os R$ 2,00 pretendidos em 2006, fez a mágica de investir e comprar mais ônibus. O leitor deve ficar atento porque se fosse certa a alegação dos empresários, não teria havido, nestes dois últimos anos, nada de lucro e nem dinheiro para a compra de novos ônibus. Moral da história: a passagem a R$ 1,80 cobriu os custos e ainda sobrou para comprar muitos ônibus. Se tivessem existido os “prejuízos” alegados, pergunto-me por que nenhuma empresa faliu? Se há prejuízos, com explicar a compra de 36 ônibus, contra 26 entre 2004 e 2006?

Prezados leitores, quando há prejuízos numa empresa, sempre há redução nos investimentos. Entretanto, em Santa Maria, as leis do capitalismo parecem não existir. Existem algumas informações da planilha de cálculo de passagens que não estão suficientemente explicadas. A planilha contém dados ilegais, porque não se informa o número de motoristas que há no transporte coletivo, conforme disposto no Decreto Municipal que regulamenta as tarifas. Há também informações equivocadas sobre idade da frota que não são comprovadas. O povo pobre de Santa Maria, usuário de ônibus, espera agora que o Prefeito Municipal, não sancione o aumento aprovado. Ele é ilegal, pois não cumpre nem o disposto no Decreto da própria Prefeitura Municipal.

(Artigo publicado no Diário de Santa Maria no dia 21.11.2008)

* SEDUFSM



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