Artigos

A educação quilombola

Por:  Julio Ricardo Quevedo dos Santos*

Uma das reflexões do Grupo de Trabalho de Etnia, Gênero e Classe da é sobre os métodos pedagógicos para a Educação Quilombola, já que aproximadamente 2 milhões de pessoas residem em áreas remanescentes quilombolas no Brasil, pouco conhecidas por grande parte dos brasileiros. As comunidades quilombolas não pertencem somente a nosso passado escravista, fazem parte da nossa história do tempo presente. Tampouco se configuram como comunidades isoladas, no tempo e no espaço, sem qualquer participação em nossa estrutura social. Ao contrário, atualmente são mais de duas mil comunidades quilombolas espalhadas pelo território brasileiro, vivas e atuantes, lutando pelo direito de propriedade de suas terras consagrado pela atual Constituição. Muitas vezes, as terras quilombolas estão localizadas em áreas de difícil acesso, representantes de uma memória viva da História afro-brasileira.

Conforme dados do MEC, existem 49.722 estudantes matriculados nas 364 escolas localizadas em áreas remanescentes de quilombos, sendo que 62% das matrículas estão concentradas na Região Nordeste. A escola está vinculada a questão das comunidades que possuem o título de território da terra. Existe mais de 743 comunidades reconhecidas – em 2008, pouco mais de 29 com título definitivo da terra –, o que garante a construção de escola pública, com projetos pedagógicos voltados às suas necessidades, que priorizem o sentimento de valorização, o reconhecimento da cultura e da história dos quilombolas, num amplo convencimento da sociedade civil e dos poderes públicos, da necessidade urgente se sua implementação. Dessa forma, defendemos uma pedagogia quilombola singular, voltada à realidade das comunidades, partindo do conceito e da identidade desses grupos étnicos que se intitulam a partir das relações com a terra, o parentesco, o território, a ancestralidade, as tradições e práticas culturais próprias.

A participação do educando e do educador como sujeitos da ação, numa inclusão dialógica, eficaz, continuada e principalmente crítica, resgata a cultura e a cidadania dos quilombolas. Há necessidade de garantia de políticas públicas na educação que resguardem e valorizem a cultura quilombola.

* UFSM



Compartilhe com sua rede social!

© 2017 SEDUFSM
Rua André Marques, 665 - Centro, Santa Maria, RS - 97010-041
Website por BM2 Tecnologia em Internet