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Padronização da avaliação: um “novo” vestibular?

Por:  Fabiane Tonetto Costas*

Em 25 de março do corrente, o ministro da Educação, Fernando Haddad, anunciou à ANDIFES uma nova forma ingresso ao ensino superior via ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). Este seria modificado por quatro testes – um de cada campo do conhecimento: linguagens, códigos e suas tecnologias (1), ciências humanas e suas tecnologias (2), ciências da natureza e suas tecnologias (3) e matemática e suas tecnologias (4). Cada teste teria 50 questões, num total de 200, que aconteceriam em dois dias. Após a prova, o aluno obteria um informativo da sua atuação, a ser apresentado às universidades de seu interesse (delimitadas na inscrição), requerendo vaga em certo curso, podendo inscrever-se em até cinco cursos diferenciados.

Modelo similar é usado nos Estados Unidos, com o SAT (Scholastic Assessment Test) que se constitui de prova única a qual seleciona o ingresso naquelas instituições de ensino superior, algo a ser observado com muita cautela, pois nossa realidade sociocultural e escolar é bastante distinta da norte-americana.

A simples modificação do ingresso ao ensino superior, sem qualquer discussão prévia com a sociedade, avaliando de forma igualitária indivíduos com profundas diferenças regionais, étnicas e sócio-econômicas, provavelmente ampliará mais as formas de exclusão, pois certamente este novo modelo continuará beneficiando a quem tem maior poder aquisitivo. Entretanto, não se descarta a necessidade de uma profunda revisão no modelo de ingresso ao ensino superior no Brasil, mas novamente o foco da discussão é deslocado. O cerne da questão está em investir em políticas que busquem a melhoria da escola pública e, consequentemente, o acesso democrático às universidades que implica o acréscimo no número de vagas proporcional à contratação de docentes.

Devemos relembrar que há mais de dez anos foi registrado no Plano Nacional de Educação-Proposta da Sociedade Brasileira- PNE, no II Congresso Nacional de Educação - CONED, ou seja, que o gasto com Educação perfaça no mínimo 10% do PIB nacional e não os atuais 5,1%, conforme o INEP (2007), dados que parece haver sido convenientemente esquecidos por alguns que fizeram parte da sua elaboração.

* UFSM



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