Artigos

A tela que nos apaixona

Por:  Fritz Nunes*

No último final de semana de junho (mês dos namorados), os apaixonados por cinema de Santa Maria tiveram a oportunidade de conhecer as novas salas de projeção. Para quem ficou quase um ano sem ter acesso a uma sala sequer, o fato de agora termos a opção de seis salas representa um fato inusitado. É verdade que o preço do ingresso ainda se encontra aquém da realidade da grande maioria das pessoas. Entretanto, como há um interesse dos administradores das novas salas em promover acesso à cultura, espera-se que haja promoções, eventos com escolas, entidades sociais, que proporcionem essa apreensão da sétima arte para grupos hoje excluídos.

Quando saudamos a vinda de novas salas de cinema, também devemos reconhecer a importância dos cineclubes em nossa cidade. Temos aqui pioneiros como o “Lanterninha Aurélio”, que sempre teve apoio de sindicatos locais e hoje funciona a todo o vapor na Cooperativa de Estudantes (CESMA). É preciso referenciar o já tradicional Ciclo de Cinema do curso de História da UFSM, que, para além da diversão, organiza conferências para discutir obras da cinematografia que continuam nos levando à reflexão. Até mesmo a Seção Sindical dos Docentes da UFSM, dentro do seu projeto Cultura na SEDUFSM, desde 2005 abre espaço para a apresentação de documentários seguidos de debates.

Portanto, a reabertura dos cinemas e a vinda de novas salas de projeção representam também a soma dos esforços daquelas pessoas que nunca esmoreceram e, a seu modo, valorizaram esse tipo de manifestação artística que ao longo da história tem contribuído para o engrandecimento cultural da humanidade. E, coincidentemente, em uma das novas salas de cinema, a exibição de “Intrigas de Estado”. Além de um “thriller” político, o filme tem aspectos nostálgicos em relação à importância do jornalismo nos dias atuais, valorizando especialmente os jornais impressos em relação ao “virtual” e ao “televisivo”. O encerramento do filme, no momento dos créditos é um dos pontos de maior emoção, quando é mostrado todo o processo, do fotolito às chapas de alumínio, até a impressão propriamente dita. É um filme que não se resume a estimular a paixão pela cultura. Ele tem tudo a ver com a paixão pela vida.

(Publicado no Diário de Santa Maria em 06.07.2009)

* SEDUFSM



Compartilhe com sua rede social!

© 2017 SEDUFSM
Rua André Marques, 665 - Centro, Santa Maria, RS - 97010-041
Website por BM2 Tecnologia em Internet