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1º de maio e as lutas atuais

Por:  Diorge Alceno Konrad*

Relacionada historicamente com a luta dos movimentos sociais pelos direitos dos trabalhadores, quando em 1886, em Chicago (EUA), patrões e governo reprimiram manifestações que reivindicavam a conquista da redução da jornada de trabalho para 8 horas, resultando em vários operários mortos, o episódio levou, em 1891, no Congresso de Bruxelas, a II Internacional de Trabalhadores a adotar a data oficialmente como o Dia Internacional dos Trabalhadores.

No Brasil, a primeira tentativa de um ato pelo 1º de maio ocorreu de 29 para 30 de abril de 1892, no Pará, quando o Partido Operário, editor do periódico Tribuna Operária, organizava uma manifestação para a data, quando ocorreu o empastelamento do jornal pela polícia, além da prisão e espancamento dos trabalhadores. Porém, a data reconhecida pelo movimento operário e sindical é a de 1º de maio de 1895, através de um manifesto organizado pelo Centro Socialista de Santos-SP. Até 1906, as comemorações permaneceram em recinto fechado, até quando passaram a ocorrer em praça pública no Rio (grande passeata nas ruas centrais), S. Paulo (comício na Praça da Sé) e P. Alegre (outra passeata). A partir de 1925, decreto do governo Artur Bernardes tornou a data oficial. Mas, a luta por uma legislação trabalhista e por direitos dos trabalhadores não terminou de lá para cá, mesmo em contraposição a comemorações oficiais festivas (a primeira delas em 1º de maio de 1939, durante o Estado Novo, depois continuada durante alguns anos da ditadura militar e reproduzida por algumas direções sindicais hoje, com shows e sorteios de brindes).

Porém, tem aumentado a compreensão de que esta data volte cada vez mais a ser um dia de luta pelos direitos e conquistas sociais históricas dos trabalhadores, em defesa da legislação trabalhista, da previdência social e do direito de greve, sobretudo contra reformas sindicais e trabalhistas que visam à retirada ou flexibilização dos direitos. Por isso, que o 1º de maio viva por muitos e muitos anos.

* Este artigo é uma homenagem ao professor Victor Hugo Oliveira da Silva, professor aposentado do Departamento de História da UFSM, falecido em 24 de abril do corrente e que tantos exemplos de lutas nos deixou por uma sociedade mais justa e igualitária.

(Diário de Santa Maria, 2 de maio de 2005)

* SEDUFSM



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