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Machismo, um debate cotidiano

Por:  Valeska Fortes de Oliveira*

O Sindicato dos Docentes da UFSM promoveu um debate sobre questões polêmicas da cultura brasileira: racismo, machismo e homofobia. São temas que nos atravessam cotidianamente através da mídia, das brincadeiras e de todas as formas possíveis de socializar e educar. A primeira questão que se coloca é reconhecermos que somos preconceituosos. Negar é uma forma de dizer que estamos “fora”, que estamos “superiores” às trivialidades machistas do homem e da mulher.

Como pensarmos de fora, sendo nós, como diz Bourdieu (1995) ao discutir a dominação masculina e o que chama de “somatização das relações de dominação”? Afirma que não é possível dar conta da violência simbólica – uma dimensão de toda dominação e, portanto, presente na dominação masculina – “sem fazer intervir o habitus e sem colocar, ao mesmo tempo, a questão das condições sociais das quais é o produto”. O sociólogo aponta que o trabalho de formação que se realiza, seja através da familiarização com um mundo simbolicamente estruturado, seja através de um trabalho de ‘inculcação’ coletivo, mais implícito do que explícito, opera uma transformação durável dos corpos e da maneira usual de usá-los. Esse trabalho de formação inclui, portanto, não apenas as instituições e práticas explicitamente organizadas com essa intenção, mas, sem dúvida, todas as diversas práticas sociais que “educam” os sujeitos.

As relações patriarcais atravessam homens e mulheres e, por isso, identificamos entre as mulheres, atitudes, brincadeiras e ações discriminatórias. Tenho acreditado nas ações formativas, tanto no espaço de formação profissional inicial, da universidade, dando destaque, nas disciplinas que venho trabalhando, às questões de gênero, às étnicas, às de classe social, pensando que podemos problematizar representações, concepções trazidas pelos alunos (as) que serão os professores atuando nas escolas e formando as novas gerações.

No espaço da formação continuada, e, o sindicato tem sido um desses lugares, problematizamos também com quem já vem trabalhando no campo profissional e, como diz a grande filósofa, Marilena Chauí, precisamos pensar a universidade como um lugar de formação humana. Uma formação que consiga desconstruir e transpor os binarismos da cultura ocidental.

(Publicado no Diário de Santa Maria de 17 de agosto de 2009)

* UFSM



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