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Subserviência e reforma universitária

Por:  Glades Tereza Félix*

A transnacionalização é resposta a uma das principais transformações da economia mundial, imposta pelos países centrais aos periféricos e semiperiféricos do sistema mundial, por meio de instituições financeiras (FMI e BIRD) afeta o bem estar, no que diz respeito à oferta pública de bens coletivos como saúde, educação, transporte, habitação, segurança etc. A par e passo com isso prossegue a reforma universitária do governo Lula da Silva na qual a transnacionalização tem parte ativa, expressando uma determinada forma de compreender o papel das universidades no país, bem como o projeto de desenvolvimento nacional.

Considerando-se o desenrolar da política de mundialização da economia, a transformação da educação superior em uma mercadoria educacional por meio da transnacionalização, é um objetivo que vem ocorrendo a médio prazo desde 2000, sob a guarda da OMC no âmbito do GATs, onde a educação é um dos doze serviços abrangidos através da eliminação progressiva de barreiras comerciais.

A abrangência da mercantilização está patente no âmbito de todos os níveis e modalidades de ensino, porém nomeadamente a educação superior é a mais preocupante, pois direta ou indiretamente influi nas demais, e acaba puxando a transnacionalização dos serviços educacionais; de testes de língua, recrutamento de estudantes, avaliação de cursos, currículos, programas, docentes e discentes. Portanto, como importadores de “mercadorias” universitárias teremos muito a perder com a eliminação de barreiras comerciais.

Desde sempre tem sido um dogma no governo Lula da Silva apresentar dificuldades ao embate das forças progressistas com a nova economia especialmente diante de uma reforma da universidade que é imparável na lógica de que o mercado e a comunidade são mais capazes do que o Estado.

Por que não afirmar que a reforma já está posta? Que os organismos internacionais já a decretaram e que o fiel e subserviente Estado brasileiro apenas a executa? Da reforma perdida, contrapomos outra rearticulação para pensarmos uma (re) evolução na universidade brasileira numa perspectiva não mercantil, como bem público e nunca regulável no âmbito dos organismos internacionais.

(Publicado no Diário de Santa Maria, 08.09.2009)

* UFSM



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