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Unipampa e a Reforma Universitária

Por:  Daniel Luiz Nedel*

A Universidade Federal do Pampa começou suas atividades em agosto de 2006, nos campi de Alegrete, Itaqui, Uruguaiana, São Borja, São Gabriel, Bagé, Caçapava do Sul, Dom Pedrito, Jaguarão, Santana do Livramento. Os cinco primeiros eram tutorados pela UFSM, enquanto que os cinco últimos pela Universidade Federal de Pelotas. Desde o princípio, a Unipampa pode ser vista como exemplo do que pretende a Reforma Universitária em curso e dos problemas que ela representa.

Os primeiros docentes que chegaram à Unipampa, em 2006, encontraram tudo por fazer. Não havia estrutura física e os professores tiveram que carregar mesas e cadeiras para organizar suas salas em prédios locados, alguns dos quais sem condição de abrigar espaços educacionais. Mais grave do que isso é o fato de que os cursos tutorados pela UFPel não possuíam Projeto Político Pedagógico nem grade curricular que permitisse aos alunos conhecerem onde estavam ingressando.

É importante destacar que a Unipampa nasce dentro do processo de expansão universitária, mas não está atrelada ao programa federal do Reuni. Entretanto, ela é um ótimo laboratório para avaliar as consequências desse processo, realizado sem planejamento, discussão ou o correspondente aumento de investimentos. De acordo com o projeto de lei, a Unipampa foi concebida para ter uma relação de 30 alunos por professor, quase o dobro do que prevê o Reuni e índice três vezes maior que a média nacional. Docentes da instituição chegam a ministrar 20 horas em sala de aula, em estruturas precárias, visto que parte das obras nos campi ainda não terminaram. E em função do reduzido número de técnico-administrativos, os docentes assumem tarefas fora de sua competência.

Pode-se enganosamente concluir que todos esses problemas advêm do fato de ser uma universidade em construção. De fato, alguns problemas como espaço físico, parecem que serão resolvidos ao longo do tempo. Entretanto, dado o tom da atual reforma universitária e do Reuni, dado o “choque de gestão” imposto pelo governo às instituições federais de ensino superior, concluímos que a Unipampa já nasce com o novo paradigma neoliberal de universidade pública, que está permeando as mudanças impostas pela política do PT.

(Publicado no Diário de Santa Maria de 29 de setembro de 2009)

* Sesunipampa



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