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Unipampa e as estratégias do MEC

Por:  Daniel Luiz Nedel*

A Universidade Federal do Pampa (Unipampa) experimenta uma desarticulação do corpo docente. Devido à estrutura multicampi, torna-se extremamente difícil organizar uma seção sindical, realizar assembleias e reuniões. A estrutura, tal como foi implementada, coloca docentes de áreas diferentes em diferentes cidades. Como exemplo, docentes da área de ciências exatas ficam em Bagé, que fica 800 km de distância dos docentes de comunicação, que estão em São Borja. Esse distanciamento torna difícil a criação de uma atmosfera universitária da forma como conhecemos, e o caráter de pluralidade criado pela convivência entre diferentes áreas de conhecimento dá lugar, nesta universidade, à fragmentação e à separação das áreas, com prejuízo das áreas sociais e humanas.

O presente quadro pouco lembra o funcionamento das Universidades Federais já consolidadas. Mais uma vez é lícito lembrar que a Unipampa está sendo criada dentro dos atuais paradigmas impostos pelo MEC para as IFES, seguidos à risca pela administração atual, imposta pelo governo Lula. O que é choque de gestão para as universidades já consolidadas, para a Unipampa é a forma natural de organização do espaço educacional. Até o momento não temos um conselho universitário e o orgão deliberativo existente é formado pela reitoria e diretores de campi, que recebem as pautas das reuniões sempre em cima da hora, não havendo tempo para discuti-la com a base docente. Esse conselho não possui representação estudantil ou de técnicos. Isto, junto com a estrutura administrativa “enxuta” de cada campus, facilita imposições vindas direto do MEC. Um exemplo é o ENEM, adotado como única forma de admissão de alunos sem discussão com docentes, discentes ou com a comunidade.

É evidente que há demanda, nesta região e no país, para a criação de universidades públicas, mas a expansão do ensino superior deve ser feita com planejamento sério e rigoroso para que a inclusão seja efetiva. A Unipampa é a prova concreta que a atual estratégia do MEC para expansão do ensino superior está totalmente equivocada e que é impossível levar educação a todos sem aumento significativo de investimentos.

(Publicado no Diário de Santa Maria de 30.10.2009)

* Sesunipampa



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