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O trabalho diante da crise

Por:  Sérgio Alfredo Massen Prieb*

A situação da classe trabalhadora brasileira nos últimos anos tem sido preocupante. Mesmo antes da crise a situação já era crítica, resultado de todo um processo de abertura desenfreada da economia que elevou o desemprego a patamares assustadores. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 1998 revelaram 7,5 milhões de desempregados. Atualmente, este número está chegando a 9 milhões.

O Dieese divulgou em recente pesquisa que nos últimos meses, 27% dos patrões já demitiram alguém, sendo que este número sobe para 44% se considerarmos o coração industrial do Brasil, a região do ABC paulista. A flexibilização das relações de trabalho como já era esperado, não ajudou na solução do desemprego, mas em compensação diminuiu em muito a condição de vida e de trabalho de milhões de brasileiros que viram vários direitos, fruto de anos de luta, se esvaírem. Não bastasse o aumento do desemprego, outros dados deveriam preocupar e até mesmo envergonhar a todos nós.

Convivemos em pleno século XXI com verdadeiras aberrações que deveriam ser tristes recordações do período imperial. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou recentemente que, somente nos últimos 14 anos, 35 mil pessoas foram resgatadas da humilhante condição de trabalho escravo.

Segundo dados da PNAD de 2008, 5 milhões de crianças e adolescentes trabalham no Brasil, incluindo-se aí crianças de 5 anos de idade. Além disso, o trabalhador quando não está desempregado trabalha e muito. Calcula-se que 32 milhões de brasileiros trabalhem além da jornada de 44 horas, sendo que 1/3 sem sequer recebem horas extras. É importante lembrar que o trabalhador no Brasil dedica ao trabalho, incluindo as horas a mais na jornada de trabalho (que Karl Marx chamaria de mais-valia absoluta) e o deslocamento de casa para o serviço e vice-versa, em média 14 horas diárias.

O empresariado brasileiro, em sua maioria, questiona a proposta que o movimento sindical reivindica de redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas, que pode elevar em pelo menos 2,5 milhões de empregos no país. Não tenho dúvidas que se esses empresários vivessem no século XIX estariam formulando argumentos contra o fim da escravidão.

(Publicado no Diário de Santa Maria de 22.03.2010)

* UFSM



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