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Remendar para quem?

Por:  Francisco Estigarribia de Freitas*

No último dia 23 de junho, no auditório Sérgio Pires, aconteceu um debate sobre as formas de Ingresso na Universidade Federal de Santa Maria. É preciso deixar muito claro aos leitores algumas questões: a primeira é que foi um espaço chamado e organizado pelo Diretório Central de Estudantes. A segunda é que aconteceu uma discussão na medida em que houve a exposição de duas propostas, questionadas nos seus pontos não muito claros ao público presente, possibilitando o debate de pontos de vistas divergentes ou próximos, apesar de ter ficado claro aos debatedores que a aproximação só se deu na perspectiva do discurso daqueles que pretendiam se travestir de alguma coisa que na realidade não são. E, por fim, que houve um reconhecimento público da precariedade das duas propostas ou, como foi dito pelo Pró-Reitor de Extensão, João Rodolpho Flores, que tanto a proposta da Reitoria como a proposta dos estudantes não passam de um “remendão”.

Para além da posição de defesa que os leitores, docentes, acadêmicos, servidores técnico- administrativos e demais pessoas interessadas na questão possam vir a assumir, este debate apresentou um movimento extremamente significativo, pois finalmente a reitoria, através de um dos seus representantes no debate, reconheceu aquilo que há tempo se vem afirmando, ou seja, que o PEIES é um delírio que se resume a determinar "currículos mínimos" que tem como “metodologia” a fixação de uma sequência obrigatória de conteúdos. Mas não satisfeito, o dito programa redireciona a liberdade docente e a condiciona, a partir da aplicação dos conteúdos rigorosamente distribuídos por série e dentro da sequência obrigatória. Também não se pode deixar de enfatizar que a extensão da listagem de conteúdos, invariavelmente, impossibilita cumpri-los.

Por outro lado, a proposta dos acadêmicos, considerada como “remendão” pelo pró-reitor, traz um elemento que vem ao encontro da autonomia do educador, surrupiado pelo PEIES, na medida em que não ignora o debate dos anos oitenta a envolver todos os formadores de professores comprometidos com a afirmação da autonomia e expansão da liberdade do educador, na medida em que resgata a função e o papel social da educação e da própria UFSM.

(Publicado no Diário de Santa Maria de 29 de junho de 2010)

* UFSM



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