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SEDUFSM: trajetória do sindicato docente

Por:  Clóvis Guterres*

A primeira coisa que me veio à mente, como se costuma dizer, ao escrever este texto foi uma sequência de imagens e acontecimentos como o fim da ditadura, o movimento pela redemocratização do país e da universidade, a morte do Tancredo Neves, o começo da Nova República, a eleição direta para reitor na UFSM, a promulgação da Nova Constituição e a aprovação de um direito pelo qual lutávamos: a sindicalização dos funcionários públicos.

A ANDES, que era a “Associação Nacional de Docentes do Ensino Superior” se transforma em Sindicato, constituindo um prazo para que as Associações de cada universidade deliberem sobre a prerrogativa de converter-se em sindicato (seção sindical). Naquele contexto, a APUSM estava nas mãos da oposição, que reagira à Assembléia Universitária realizada no início da administração do professor Gilberto Benetti. A posição dessa gestão era contrária à transformação da APUSM em seção sindical, alegando possível perda de patrimônio, vinculação à CUT, entre outros, e iniciava um processo de afastamento do Sindicato Nacional, retendo o repasse do percentual de mensalidades, regularmente enviadas à Associação Nacional. Além disso, protelava a deliberação sobre a prerrogativa, promovendo um debate sobre a possibilidade da constituição de um sindicato local.

Preocupados com a marginalização da nossa entidade e a exclusão de nossos docentes de um direito tão duramente conquistado e consagrado constitucionalmente, iniciamos um processo de pressão que resultou na assembléia em que a entidade abriu mão da prerrogativa de transformar-se em sindicato (seção sindical). Foi uma ruptura sem traumas uma vez que as decisões foram tomadas nas instâncias competentes com definição clara de campos de atuação das duas entidades, e com respeito mútuo.

A criação da seção sindical permitiu a concretização do direito de sindicalização e a retomada das idéias, dos debates e das lutas progressistas em defesa de uma sociedade e de uma universidade democrática focada na justiça social. As diretorias que se sucederam nesses 21 anos tem sido de compromisso com os sindicalizados e a defesa permanente de uma universidade pública, gratuita e socialmente referenciada.

Professor do departamento de Fundamentos da Educação, primeiro presidente da Seção Sindical dos Docentes da UFSM (SEDUFSM)

Publicado no Diário de Santa Maria de 8 de novembro de 2010

* SEDUFSM



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