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SEDUFSM e o Novembro Negro

Por:  Julio Ricardo Quevedo dos Santos*

Neste mês de novembro, por proposta do Grupo de Trabalho (GT) Etnia, Gênero e Classe da SEDUFSM, sob coordenação da professora Carmem Gavioli, está sendo tematizado o “novembro negro”, que integra as atividades da 22ª Semana Municipal da Consciência Negra. Foi construído o debate ocorrido nesta segunda, 22 de novembro, na Câmara de Vereadores sobre “O centenário da Revolta da Chibata” e a “A saga de Zumbi dos Palmares e o processo de conscientização afro-sul-rio-grandense”, assuntos relevantes nas discussões escolares atuais.

O objetivo do evento foi repor algumas discussões envolventes quando o Grupo Palmares de Porto Alegre, entre 1971 e 1978, propôs o dia 20 de novembro como alternativa às comemorações do 13 de maio. Atualmente, a Lei 10.639/3 dispõe que se deve comemorar o 20 de novembro como o “Dia da Consciência Negra”, data construída pelo Movimento Negro Brasileiro. Porém, é importante ressaltar que esta reflexão foi precursora no estado nas propostas do Grupo Palmares. A partir desta questão podemos pensar os conceitos estruturantes da cultura regional em suas constantes reconstruções e ressignificações, como a atuação dos lanceiros negros e das elites negras na Guerra dos Farrapos; dos marinheiros negros que se rebelaram contra a República Oligárquica brasileira na Revolta dos Marinheiros (ou da Chibata) de 1910; com o protagonismo do afro-sul-rio-grandense João Cândido Felizberto (no ato de rebeldia coletiva do dia 22 de novembro, porém injustiçados pela História oficiosa de nosso país).

Por fim, penso que a construção de um calendário que lute evidenciando, nos mais diferentes espaços, nossos eventos estruturantes da cultura regional compreendidos entre 14 de novembro – quando os bravos lanceiros negros foram traídos em ‘Porongos’ – evidenciando o ‘20 de novembro’ (Dia da Consciência Negra) e culminando com a Revolta dos Marinheiros (entre 22 e 27 de novembro), são possibilidades justas de se rever e reavaliar nossas comemorações, sentimentos de pertença e reflexões que compõem a cultura regional e assim recuperarmos a efetiva participação dos negros em seus movimentos da nossa história. E, ainda, repensar a Educação que nós temos e a que queremos, estabelecendo um plano de lutas de uma Educação inclusiva, participativa, democrática e cidadã.

(Publicado no Diário de Santa Maria em 23 de novembro de 2010)

* UFSM



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