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O que esperar do governo Dilma

Por:  Adayr da Silva Ilha*

Tenho muitos motivos para admirar as mulheres, por tudo que elas representam. Essa admiração começou com minha mãe, seguiu-se com minha esposa e continuou com minha filha. Almejei muito que um dia o Brasil fosse presidido por uma mulher. Esse dia chegou. O país tem dois males que precisam ser banidos: a corrupção e a miséria. Tenho a convicção de que a mulher é menos corruptível e tem mais sensibilidade social do que o homem e, com isso, condições adequadas para tratar destas duas questões. A presidente eleita, além de ser mulher, já comprovou sua competência técnica e administrativa.

Embora o Governo de Lula da Silva tenha deixado um bom legado, após seus oito anos à frente da Presidência, os atuais indicadores econômicos apontam para a necessidade de ajustes e mudanças. O aquecimento no consumo tem elevado o índice de inflação para o limite superior da meta, devendo fechar o ano em 5,9%, quando o centro da meta para o ano é de 4,5%. Não haverá alternativa para a nova equipe econômica que não seja aumentar a taxa básica de juros (Selic), cortando assim o estímulo ao consumo. Outro desafio do novo governo será completar as reformas institucionais iniciadas nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio da Silva, em especial a Tributária e a Trabalhista, visando desonerar o setor produtivo.

Uma readequação dos gastos públicos terá que necessariamente ser feita de imediato. O governo Lula expandiu em demasia os gastos correntes (custeio), o que afetou negativamente os gastos com investimento, tão necessários para melhorar e ampliar a infraestrutura do país. Não há como crescer de forma sustentável acima dos 4,5%, que é a taxa esperada de crescimento do PIB para 2011, sem aumentar os investimentos no setor de infraestrutura.

No que se refere o setor externo, espera-se uma melhor administração da taxa de câmbio, adequando-a aos interesses do setor produtivo nacional e para que o déficit em Conta Corrente não se transforme em um grande problema.

Em síntese, a equação a ser resolvida pelo Governo de Dilma Rousseff será: como melhorar e ampliar a infraestrutura sem comprometer o equilíbrio macroeconômico?

(Publicado no Diário de Santa Maria de 07.01.2011)

* UFSM



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