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A pobreza continua

Por:  Nilton Bertoldo*

Quase a metade das crianças e adolescentes com até 17 anos do país estavam em situação de pobreza no ano passado, revelou em 2009, a Síntese de Indicadores Sociais, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Pelos critérios do órgão, 44,7% dessa população viviam com menos de meio salário mínimo per capita.

No Nordeste, o quadro continuou sendo o mais grave. Naquela região, estavam nessa situação 66,7% das crianças e adolescentes brasileiras. Em 1998, essa proporção era de 73,1%. O IBGE atribui o avanço ao desenvolvimento de programas de transferência de renda por parte do governo, como o Bolsa Família.

A pesquisa mostrou ainda que 18,5% das crianças e adolescentes brasileiras viviam, em 2008, com rendimento per capita de até 25% do salário mínimo, situação considerada de extrema pobreza pelo IBGE. Em 1998, 27,3% dessa população se enquadravam nessa classificação.

O levantamento revelou que aumentou a taxa de escolarização na chamada primeira infância de 0 a 6 anos. Entre a população de 0 a 3 anos, 18,1% frequentavam a escola no ano passado, ante proporção de 8,7% em 1998.

Na faixa de 4 a 6 anos, o IBGE constatou que 79,8% estavam matriculados em 2008. Dez anos antes, a taxa de frequência escolar correspondia a 57,9% do total desta faixa etária.

A renda da família é determinante para a frequência escolar, segundo o estudo. Na faixa de 0 a 3 anos, a taxa era 18,5% para as famílias que viviam com até meio salário mínimo per capita; já nas famílias com mais de 3 salários mínimos per capita, essa proporção era de 46,2%.

No grupo de 4 a 6 anos, a taxa era de 77,1% entre as famílias com renda per capita de até meio salário mínimo, e de 98,8% para as crianças na faixa de rendimento de mais de 3 salários mínimos per capita.

Na faixa dos 7 a 14 anos de idade, que corresponde ao ensino fundamental, o acesso à escola está praticamente universalizado em todos os níveis de rendimento, mostrou a pesquisa.

A frequência escolar dos adolescentes de 15 a 17 anos, era de 78,4%, nas famílias do primeiro quinto de rendimento (os 20% mais pobres), e 93,7%, nas famílias do último quinto, as 20% mais ricas.

O estudo indicou ainda que 7,8% das crianças com 9 anos de idade não sabem ler ou escrever. A idade adequada para a alfabetização é em torno dos 6 anos. Em termos absolutos, eram 270 mil analfabetos, sendo que mais da metade (cerca de 167 mil) moravam no Nordeste. Lá, 15,7% das crianças de 9 anos não sabem ler ou escrever.

Já está na hora de certos tafulos , alguns mondrongos e vários casquilhos metidos a tufas, do Poder Legislativo, deixarem as suas ratoínas e catraias de lado, tomarem tento e mudarem essa situação!

(Publicado em A Razão de 23.02.2011)

* UFSM



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