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A Medicina na História

Por:  Nilton Bertoldo*

Na história da ciência como na de qualquer expressão da inteligência e da emoção humanas, o passado nunca é passado, mas continua e está muito ativo em qualquer forma ou manifestação do presente. A relação estreita entre o progresso da medicina – ligada mais do que qualquer outra ciência às necessidades essenciais da vida – e o progresso da civilização é patente. Nem todos perceberam devidamente que a arte moderna de curar não só está ligada aos velhos ritos mágicos e aos credos religiosos, à opoterapia primitiva e ao hipocratismo clássico, às doutrinas dogmáticas e às descobertas revolucionária;.está também associada intimamente às condições econômicas, intelectuais e politicas da vida das diferentes nações em épocas diversas, à sua riqueza ou à sua miséria, a seu comércio, leis, guerras, filosofia, literatura e arte.

Além disso, a medicina é um dos mais poderosos agentes de sugestão que atuam na vida diária: afeta tanto o indivíduo como o grupo, enfrentando constantemente novas ameaças mas oferecendo também novas promessas que abrem horizontes inesperados para o futuro.

O registro da história dessa evolução e estas ocorrências foram muitas vezes marcados pelo sinete imortal do gênio, iluminados pela luz brilhante do heroísmo e do sacrifício e embelezadas pelo sorriso radiante da poesia.

O progresso da ciência a da arte médicas foi obscurecido, algumas vezes, pela superstição ou pelo dogmatismo, pelo ódio e pela intolerância. Mas, do passado mais remoto à nossa época, o pensamento médico, a mais nobre expressão do desejo humano empenhada em libertar o homem do mal físico e moral, manteve uma unidade histórica notável e só pelo conhecimento e pela compreensão da história do passado é possível compreender ou julgar a medicina hodierna.

Os textos históricos da evolução da medicina exprimem e ensinam pelo exemplo do passado que, acima de todas as perturbações, guerras e revoluções, o tesouro precioso do pensamento filantrópico e da medicina como ciência, como arte e como ímpeto da vontade de viver não se deterá no seu progresso em busca de maiores conquistas.

O curso irregular seguido pela profissão médica, seus becos sem saída e suas armadilhas, os métodos de pensamento, observação e experiência que se mostraram aproveitáveis ou falazes no passado. A compreensão de tudo isso poderia ajudar a muitos médicos, a reconhecer os problemas mais gerais do momento e fornecer métodos para sua solução.

A história da medicina tem, não raramente, pouca relação com a história política de um país ou de uma época, de um modo que um leitor comum não faz uma avaliação adequada e não suficientemente apreciada mesmo por alguns historiadores.

(Publicado em A Razão de 10.03.2011)

* UFSM



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