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Para além dos parabéns no 8 de março

Por:  Maria Celeste Landerdahl*

Embora me sentindo desconfortável pelos “parabéns” recebidos no dia 8 de março, entendo que a real compreensão da sociedade sobre essa data é uma questão de tempo. O movimento mundial em torno da superação das desigualdades de gênero tem possibilitado, além de profícuas discussões, iniciativas concretas de superação deste cenário em nível mundial.

É o caso da inclusão da “promoção da igualdade de gênero e autonomia/valorização/empoderamento das mulheres” como uma das 8 metas do milênio, formuladas em uma reunião da ONU no ano de 2000. Os países signatários, dentre eles o Brasil, comprometeram-se a desenvolver estratégias que possibilitem a superação de desigualdades entre mulheres e homens até o ano de 2015.

Nesse sentido, o governo brasileiro, por meio da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), vem desenvolvendo iniciativas na tentativa de envolver universidades, bem como a gestão de estados e municípios, em ações que contribuam no alcance desse intento.

Percebe-se, no entanto, que em Santa Maria esse movimento precisa, urgentemente, tomar força e alçar vôo. Para isso é necessário unir esforços, que devem estar acima de qualquer vaidade pessoal e bandeira partidária; e que contribuam, de fato, na superação de desigualdades de gênero no município. Não devemos esquecer que sociedades desenvolvidas estão diretamente ligadas a cenários que buscam diminuir disparidades entre os sexos.

Esse movimento, a ser construído por mulheres e homens, deve interagir mediante atuação de uma Coordenadoria Municipal da Mulher, em conjunto com um qualificado Conselho Municipal de Direitos das Mulheres (CMDM). A primeira, na esfera da gestão municipal e nos moldes da SPM, tem dentre suas atribuições, assessorar o executivo na formulação, coordenação e articulação de políticas para as mulheres com foco na igualdade de gênero. Já o CMDM, instância legítima de participação da comunidade, deve ser o parceiro direto da Coordenadoria, levando as demandas das mulheres do município em termos de politicas públicas, além de contribuir na sugestão, elaboração, implementação, avaliação e, principalmente, fiscalização dessas políticas.

Na esperança de que nosso município avance nessas questões, é imprescindível que, para além dos parabéns no 08 de março, se reflita e se questione, dentre outros temas: porque a pasta da Coordenadoria da Mulher de Santa Maria, criada pela Lei 5189/2009 não tem titular até hoje? Da mesma forma, é urgente formular uma nova lei que reoriente as reais competências do CMDM, possibilitando que ele seja representativo, democrático, autônomo, operativo e apartidário.

(Publicado em A Razão de 11.03.2011)

* UFSM



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