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A Medicina e a história biográfica

Por:  Nilton Bertoldo*

Apesar de a história da medicina representar uma história de fatos e processos, deveria ser em parte, também, uma história biográfica. Esta inclui a história dos grandes pioneiros e daqueles que deixaram na marca indelével no progresso médico; mas necessita não ser separada da história das idéias para se manter exata e viva. Encontraram-se nos livros a narrativa de grandes batalhas dirigidas não só contra aqueles que desejam, por todos os meios possíveis, pôr obstáculos à livre pesquisa; mas também a batalha mais rude de todas, aquela dirigida contra os próprios médicos, hostis às idéias novas ou prontos a exaltar erros novos.

Elas contam as lutas contra a superstição e o charlatanismo, sempre os mesmos no curso da história, como no tempo de Thesslo da Lídia que chama a si mesmo “Iatrônicos”, o conquistador dos médicos, e almejava que a medicina das escolas nada mais era que uma burla e prometia preparar médicos hábeis em seis meses. Esta é uma parte da história que mostra clara e eloquentemente que a identidade do sofrimento humano, sob todos os céus, deve criar a solidariedade tanto da ciência como do cientista. Mostra que não se pode limitar a livre expansão das ideias, nem erigir barreiras contra elas. Aqui, também, pode-se referir aos progressos da Itália como, por exemplo, a orientação sábia da república de Veneza, ao reconhecer o auxílio que a difusão da cultura podia dar ao Estado e ao abrir as portas hospitaleiras de suas universidades a estudantes de todos os países e credos.

É através do estudo da história da medicina que se aprende a avaliar a modéstia a obra de nosso tempo e reverenciar as grandes obras do passado. Este estudo é que deveria guiar o médico que fala sempre com admiração de artistas, poetas e estadistas imortais, para que recordasse com orgulho, o nome dos maiores médicos. E, se é verdade que o trabalho dos grandes homens pode estimular os grandes empreendimentos, não de pode acreditar que as gerações novas tirassem proveito da história daqueles que combateram tão ardorosamente pelos seus ideais?

Do edifício histórico, que deve ser pacientemente construído sobre as obras assentada pelos grandes mestres, poder-se-á retirar as leis que orientarão o progresso do grande complexo organismo médico através dos séculos.

Os mais ilustres cientistas e seus mais modestos epígonos ou continuadores procuraram igualmente defender o homem contra tudo que o ameaça na saúde e perturba a harmonia fundamental do organismo individual ou coletivo.

(Publicado em A Razão de 14.04.2011)

* UFSM



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