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A Educação Superior frente ao corte orçamentário

Por:  Daniel Arruda Coronel*

Um dos maiores legados do Governo Lula foi dar um novo redimensionamento para o Ensino Superior, que, após décadas sem uma política educacional qualificada, viu, neste governo, vários de seus anseios se concretizarem, embora muitas questões importantes tenham deixado a desejar.

As ações do Governo Lula para o Ensino Superior materializaram-se com o Programa Universidade para Todos (PROUNI) e, principalmente, com o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais Brasileiras (REUNI), que tem como principal objetivo ampliar o acesso e a permanência da população na Educação Superior.

Quando o Reuni foi lançado, a maior parte dos intelectuais e da comunidade universitária viu, com este programa, a oportunidade de o país resgatar uma dívida histórica com milhões de brasileiros que, apesar de pagarem religiosamente seus tributos, não têm acesso ao Ensino Superior. A repercussão deste programa foi tão positiva, que instituições universitárias como a Universidade Federal de Viçosa (UFV) chegou a conceder ao ex-presidente Lula, em janeiro do corrente ano, na solenidade de formatura na qual ele era paraninfo, o título de Doutor 'Honoris Causa' pela sua inestimável contribuição à educação.

Não obstante a isso, uma questão sempre se colocava: será que os próximos governos terão o REUNI como prioridade e darão as condições necessárias para as universidades brasileiras se expandirem com qualidade, ou seja, com recursos humanos qualificados, com laboratórios, bibliotecas, softwares, dentre outros?

Logo no primeiro mês do governo Dilma, com o corte orçamentário, a indagação anterior ganhou ainda mais força, ou seja, como as universidades que já estão em expansão ficarão frente a este corte, visto que o mesmo diminuiu os gastos com passagens e diárias. Contudo, a principal questão é como ficarão os concursos e a contratação dos novos professores.

Neste sentido, mais do que nunca, é fundamental a unidade docente e o apoio à Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES) e ao Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES) com o objetivo de que o corte orçamentário não afete a expansão com qualidade e a autonomia das universidades brasileiras, as quais são fundamentais para a busca de um país com melhores níveis educacionais e sociais.

O que a sociedade espera e almeja é que o REUNI não fique pela metade, ou seja, que as universidades consigam projetar e concretizar as expansões e, que, a Educação Superior entre de vez como prioridade do governo federal, se este quiser ter um projeto nacional de desenvolvimento.

(Publicado em A Razão de 26.04.2011)

* UFSM



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