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Sindicatos e o mundo do trabalho

Por:  Maristela da Silva Souza*

Fazer algumas reflexões sobre as mudanças ocorridas no mundo do trabalho e suas conseqüências para a atuação e luta do movimento sindical. Esse é o objetivo desse artigo, escrito a partir de algumas discussões ocorridas no V Encontro Brasileiro de Educação e Marxismo (EBEM), realizado em Florianópolis (SC), entre os dias 11 e 14 de abril.

O Capitalismo, a cada nova manifestação de crise, reestrutura-se e neste processo, a subordinação do trabalho ao capital se intensifica, gerando mudanças no mundo do trabalho, com profundos ataques às conquistas sociais e trabalhistas. Torna-se visível, hoje, a diminuição dos postos de trabalho estáveis e o aumento do subemprego sob a ótica do trabalho temporário e informal. Vale lembrar o “boom” das empresas terceirizadas que aglutinam um grande número de trabalhadores precarizados nos seus direitos e condições de trabalho.

Nesse processo, o movimento sindical apresenta vários desafios que afetam a sua organização. Diante da fragmentação da classe trabalhadora no que diz respeito à formalidade e informalidade, torna-se difícil as possibilidades de desenvolvimento de uma consciência de classe, como também, sindicalizar e organizar os trabalhadores que se movimentam no âmbito informal. Soma-se a esta ação, a tarefa de dar conta das reivindicações mais imediatas dos trabalhadores, como a retirada de direitos trabalhistas, negociações salariais, etc. Como por exemplo, podemos citar o desafio do ANDES-SN (Sindicato Nacional das Instituições de Ensino Superior) frente à MP 525, que suspende os concursos públicos para professores e limita o trabalho docente ao serviço contratado. Como organizar esses trabalhadores da educação e ao mesmo tempo lutar pelas conquistas históricas do movimento docente?

No que se refere ao sindicalismo verdadeiramente combativo ainda se apresenta a luta que o mesmo tem que travar com aqueles sindicatos que se estabelecem dentro da ordem, enquanto “braços de governo e de patrões”, dizendo-se alternativos. Diante deste cenário, o caminho trilhado pelo movimento sindical apresenta-se árduo, principalmente no que se refere a realizar a sua atuação, nas palavras de István Meszáros, “para além do capital”, no sentido da real emancipação dos trabalhadores.

(Publicado no Diário de Santa Maria de 9 de maio de 2011)

* SEDUFSM



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