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Educação e Mundo do Trabalho

Por:  Maristela da Silva Souza*

Com o objetivo de ampliar as discussões travadas durante o V Encontro Brasileiro de Educação e Marxismo (EBEM), realizado em Florianópolis/SC de 11 a 14 de abril, penso ser propício refletir sobre a célebre frase de Emir Sader que declara: “digam-me onde está o trabalho em um tipo de sociedade e eu te direi onde está a educação”. Para tanto, faz-se necessário contextualizar as relações do mundo do trabalho, questionando os objetivos que a lógica do capital apresenta para a Educação.

A Educação, neste momento histórico, encontra-se pautada no fato que vivemos em uma sociedade dinâmica que apresenta como marca indiscutível a produção constante e rápida de conhecimento e que um bom trabalhador, para acompanhar este movimento, deve adquirir o conhecimento das novas ondas técnicas ditadas pela informática e pela microeletrônica. Não se trata apenas da questão, a escola tem que estar conectada (computadores, internet...). Diante deste contexto, aparentemente novo, apresenta-se o capital cumprindo a sua função de manter a lógica de acumulo de riqueza nas mãos de poucos.

Reordenar o capital exige reordenar a Educação, tanto na formação técnica como no âmbito ideológico da formação humana, pois quem nunca ouviu a expressão “O meu filho vai estudar para ser alguém na vida”; “Para conseguir um bom emprego”. A Educação, então, passa a ser uma referência enquanto espaço que proporcionará condições objetivas para preparar o indivíduo para a vida. Se a Educação colabora para a empregabilidade, ela assume uma dupla tarefa. Essa dupla tarefa, como nos declara Pablo Gentili, consiste no fato de que educar para o emprego requer também educar para o desemprego. Isso porque a impossibilidade de emprego para todos, gera uma lógica de desenvolvimento que transforma o binômio trabalho/ausência de trabalho num matrimônio inseparável.

Este processo nos leva a entender porque ao mesmo tempo em que a Educação exige a elevação do nível intelectual dos educandos, para que estes possam acompanhar as mudanças vindas da reestruturação do capital, essa elevação intelectual precisa ser limitada no sentido de evitar que utilizem o conhecimento para entender profundamente a realidade.

A Educação, portanto, deve manter-se em alerta crítico, no sentido de perceber os aspectos sociais e ideológicos em que se encontram suas próprias mudanças. Não é suficiente tornar a aula ativa e crítica, ela insere objetivos maiores e sem a compreensão deles, torna-se difícil tornar a educação ampla e emancipadora.

(Publicado em A Razão de 14.05.2011)

* SEDUFSM



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