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O adeus a um grande estadista

Por:  Daniel Arruda Coronel*

No dia 02 de julho, o Brasil perdeu o ex-presidente Itamar Franco, um grande brasileiro, homem público que carregava consigo os melhores valores da política brasileira. Itamar foi prefeito de Juiz de Fora, governador e senador pelo Estado de Minas Gerais, vice-presidente e presidente da República.

Itamar, por onde passou, deixou sua marca e os traços de seu temperamento. Como vice-presidente da República, logo no início do governo, afastou-se das medidas populistas e clientelistas do governo Collor; como presidente da República, designou uma equipe econômica, liderada pelo sociólogo e Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, para criar o Plano Real, o qual foi um dos planos econômicos mais consistentes da história macroeconômica do Brasil e acabou estancando a hiperinflação.

Ainda como presidente, sua gestão conseguiu fazer um governo de união democrática que contribuiu para consolidar a democracia brasileira, visto que o primeiro presidente eleito democraticamente após a ditadura militar acabou renunciando ao mandato e deixou o país com uma hiperinflação, além de um descrédito tanto no cenário econômico nacional como internacional e um desânimo por parte da população, que viu seu primeiro presidente eleito democraticamente, após a ditadura, acabar melancolicamente e envolvido em vários escândalos de corrupção, por mau uso do erário público.

Como governador de Minas Gerais, de 1999 a 2002, conseguiu renegociar a dívida com a União, o que penalizava as finanças e, consequentemente, os investimentos. Tal renegociação possibilitou que o Governador Aécio Neves colocasse em prática o choque de gestão. E, como senador, neste curto intervalo de tempo, de fevereiro a maio, quando se afastou para tratar da leucemia, estava tendo um papel de destaque por uma reforma política que desse um novo patamar à política brasileira.

Embora não fosse unamidade, durante sua vida, Itamar foi um político que dignificou a política brasileira, que criou o Plano Real, o que possibilitou que o Brasil se tornasse mais atrativo aos investimentos, que as pessoas não tivessem que conviver com uma hiperinflação que destrói e corroem o poder aquisitivo e que penaliza o povo brasileiro, principalmente os mais pobres.

Enfim, em uma sociedade que busca e quer governantes sérios, qualificados, nacionalistas, éticos e que lutem por um país mais justo, fraterno, soberano e igualitário, com certeza Itamar fará falta.

(Publicado em A Razão de 14.07.2011)

* UFSM



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