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O político profissional

Por:  Nilton Bertoldo*

O profissional político é, simplesmente, aquele que dedica toda, ou uma grande parte da sua atividade de trabalho à política e dela retira sua principal fonte de subsistência. Conforme, portanto, a definição de Max Weber: ele vive da política e não, como seria o ideal, para a política. Neste último caso, o cidadão, político, teria uma atividade econômica que lhe permitiria o sustento, independente da política. Já, o primeiro se assemelha a um empresário, da política, pois dela depende para sobreviver.

Mas o grande perigo para os povos de países de opereta como é o caso da Terra de Santa Cruz, erradamente chamada Brasil, reside no político profissional corrupto que infecta o Parlamento. Esse tipo de gente constitui-se na ralé, na escória da sociedade brasileira, na maior parte das vezes flibusteiro, rufião, escarro de gente, professador de evangelho de cervejaria; para essa canalha o país precisaria de uma legislação duríssima – banimento do país, prisão perpétua, pena de morte. É por isso que dever-se-ia adotar o apotegma: todo político profissional suspeito de corrupção é culpado até provar que é inocente.

Examinando o problema da profissionalização dos parlamentos que segue a afirmação dos partidos de massa, Eliassen e Perdersen observaram o uso ambíguo e polivalente da expressão “profissionalismo político”, que se encontra na literatura sobre os parlamentos. Geralmente, com tais expressões costumam ser indicadas duas coisas diferentes ao mesmo tempo, dois tipos diferentes de profissionalização.

Para uma primeira consideração o termo é usado para indicar o processo de substituição das autoridades dos partidos de dirigentes pelos funcionários dos partidos de massa. Nessa acepção, profissionalismo político é usado como palavra de conotação aproximada de grupo de funcionários do partido.

Mas, com igual frequência, indica-se, com o termo profissionalização um processo absolutamente diferente: a substituição progressiva de pessoal parlamentar de origem aristocrática ou empresarial ( dos partidos liberais e conservadores) e de origem operária (dos partidos socialistas) por um novo quadro com alto nível de instrução, de classe média burguesa, predominantemente empregado nas ocupações típicas das classes emergentes em consequência da expansão da intervenção do Estado (professores, administradores públicos, etc. ). Isso geralmente se explica como o efeito da crescente tecnização das decisões políticas que requerem, muito mais que no passado, a competência dos especialistas.

Nesse segundo significado, profissionalização significa, na verdade, aumento do componente parlamentar-técnico com um intenso treino educativo por trás, em todos os setores nos quais já se justifica a intervenção do Estado.

(Publicado em A Razão de 28.09.2011)

* UFSM



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