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Os 90 anos de Dom Paulo Evaristo Arns

Por:  Daniel Arruda Coronel*

No dia 14 de setembro, o Cardeal Arcebispo Emérito de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, comemorou seus noventa anos, ainda gozando de saúde, lucidez e tendo muita energia. O Cardeal, juntamente com os saudosos Dom Ivo Lorscheister, Dom Luciano Mendes, Dom Aloízio Lorscheider e Dom Helder Câmara, foi um incansável lutador por um país mais fraterno, justo e soberano.

Dom Paulo foi arcebispo de São Paulo, uma das maiores arquidioceses do mundo, de 1970 a 1998, e, neste período, além de zelar pelos dogmas da fé, contribui em muito para as campanhas sociais que visam um país melhor e sem misérias, e também abrigou e ajudou vários perseguidos pela ditadura militar que perdurou no país de 1964 a 1985.

Não obstante a isso, a maior contribuição de Dom Paulo e que, com certeza, servirá como um testemunho histórico para as futuras gerações, é o livro Brasil nunca mais, o qual relata as barbáries, as monstruosidades e as atrocidades que o regime ditatorial fez neste país, os quais jamais devem ser esquecidos.

Neste livro, que gerou uma resposta de setores ligados à ditadura militar que lançaram o livro Brasil Sempre, Dom Paulo mostra os principais mecanismos de turtura utilizados no país, além de uma lista de pessoas desaparecidas desde 1964.

O motivo da publicação do livro, conforme Dom Paulo, não foi para semear o ódio e a divisão no país, muito pelo contrário, foi para, mais do que nunca, a sociedade dar valor à democracia e à liberdade como valores inalienáveis de todo o cidadão e compreender que a tortura, além de desumana, é o meio mais inadequado para levar-nos a descobrir a verdade e chegar à paz.

Enfim, chegar aos noventa anos com saúde e lucidez é uma dádiva de Deus para poucos, mais ainda quando o aniversariente pode colocar a cabeça no travesseiro e saber que lutou pela democracia, pela justiça social, que esteve ao lado dos mais necessitados e mais fracos quando eles precisaram. Ainda, sua recompensa não era um melhor posto na hierarquia da igreja e nem uma homenagem de entidades ligadas aos direitos humanos, mas, sim, ter a consciência de que ajudou alguém que precisava, quando muitos se omitiram. Sua vida e atuação podem ser resumidas no Evangelho de Mateus, Capítulo 22, versículo 14: "muitos são chamados e poucos os escolhidos". Por tudo isso, parabéns e longa vida, Dom Paulo.

(Publicado em A Razão de 10 de outubro de 2011)

* UFSM



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