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Inversão de valores

Por:  Nilton Bertoldo*

Muitas vezes, aquilo que era errado parece tornar-se certo e o certo parece transformar-se no errado. Quando determinada pessoa se esforça para ser alguém mais calmo e humano, observa-se que estranhamente ela passará a ser rotulada de néscia e ou desacreditada.

É, “in veritas”, oposto e anômalo. Frequentemente percebe-se que a conduta de cindir cânones e desrespeitar regras é objeto de aplauso de muita gente. Pode ser notado na labuta diária, trabalhadores que seriam péssimas referências, serem acompanhados ou imitados por outros de seu clã. Quando o modo de proceder, ao invés de receber repúdio, obtém admiração e ainda tem prosélitos, torna explícito o absurdo da inversão de valores que se vivencia.

Amiúde, comportamentos rebeldes ou indisciplinados atraem simpatia, porque indivíduos que se mostraram maus, agressivos ou impetuosos, obtiveram afeto e admiração. Isto é notado com frequência em determinados programas televisivos. Se indisciplina e rebeldia originam simpatia, o que pensar daqueles que rezam na cartilha da ordem e da subordinação?

Não se trata de sentenciar ou censurar o transgressor ou o admirador, mas sim, identificar aquilo que todos, inconscientemente estão sujeitos a fazer: menoscabar o ético e louvar o reprovável.

O indivíduo que for generoso e cordial poderá ser interpretado como ultrapassado ou antiquado; o bondoso será parvo e o maldoso aplaudido. Destarte, a sociedade caminhará célere para um orbe amoral e inundado de conflitos.

Todos os problemas da inversão de valores refletem diretamente no entrelaçamento de qualquer corpo social: na família, casais sem princípios essenciais a uma convivência duradoura e saudável, filhos que não respeitam os pais e se o fizerem, poderão ser até criticados pelos amigos; o bom funcionário será bajulador e o negligente será exemplar.

Os valores são violentados diuturnamente por diversos meios e atitudes nos relacionamentos. Com frequência os cidadãos são reprimidos por agirem com cordialidade e ao mesmo tempo estimulados a transgredirem os princípios morais. Não custa lembrar Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.

Dependerá de conselheiros, educadores, lideranças honestas, órgãos representativos da cidade, políticos, e todos aqueles agentes de posições similares, difundir os bons conceitos e incutir a ojeriza à má conduta, bem como reconhecer com apreço os bons costumes.

A inversão de valores compromete o convívio social e deve ser combatida com rigor por meio de cidadãos comprometidos com o progresso social e o desenvolvimento humano. Portanto, políticos, tomem tento! A Tunísia, o Egito, a Líbia, o Iêmen do Sul, a Grécia e outros países poderão servir de exemplo para o povo brasileiro!

(Publicado em 21.10.2011)

* UFSM



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