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A tirania, o ridículo e os políticos

Por:  Nilton Bertoldo*

É tirânico todo o poder autoritário? Que poder não tem autoridade? Respondo com Pascal: “A tirania consiste no desejo de dominação, universal e fora da sua ordem”. O tirano não é aquele que quer mandar, mas aquele que quer mandar em toda a parte, em tudo, o que supõe que ele as confunde: a tirania é o ridículo no poder. Não se pode discutir sempre, negociar sempre, chegar sempre a um acordo... (a repressão às greves).

Essa ideologia na moda que só quer consenso e acordo em todo o lugar. Na maioria das vezes, tal assertiva não passa de uma peneira para obstar o astro-rei para um poder que não ousa se mostrar ou se assumir (o voto secreto no Congresso).

A autoridade é uma virtude, ou pode sê-lo, mas não subestimemos sua importância. É evidente que muitos pequem por autoritarismo. Mas não poderia ser o que define a tirania: um tirano pode ser conciliador, demagogo ou hábil, e um personagem autoritário ou imperioso pode abster-se de toda a tirania.

E o ridículo? Este tem uma dupla entrada e é a coisa mais bem distribuída no orbe. Contra o que é importante distinguir as ordens: do poder, do saber, etc.... Há tirania ou ridículo a partir do momento em que alguém as confunde, e a força não é uma prova: repressão às greves, ameaça de processar o cidadão quando este denuncia alguma falcatrua: propina, superfaturamento, desvio de dinheiro público.

Onde ficam os políticos? Muitos gostam do culto à personalidade (imitando Stálin). Mas quem não vê que é a tentação de todo poder? Que político não gosta de obter milhares de votos e ser consagrado? Qual não quer indicar afilhados, muitos deles pouco qualificados, técnica e intelectualmente? Qual não quer convencer o eleitor-cidadão com promessas vãs que não serão cumpridas?

Esses são ridículos sempre, com o que a tirania, se não se tomar cuidado, corrói pouco a pouco as relações humanas, levando muitas vezes à desobediência civil – Líbia, Egito, Tunísia e outros países servem de exemplo. Políticos que parecem especialistas ou estrelas de Cancan.

E quem não sonharia com um poder que renunciasse a seduzir ou impor a sua verdade? Com um poder que comandasse tranquilamente, lucidamente sem pedir nem respeito nem fé, sem nada pedir – entre uma eleição e outra, - além de uma lúcida e tranquila obediência? Isso nunca é totalmente possível, e numa democracia talvez ainda menos que em outro regime.

(Publicado na Razão de 02.11.2011)

* UFSM



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