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Repensar a Uni(di)versidade

Por:  Diorge Alceno Konrad*

Muitos dizem que estaríamos vivendo a sociedade da informação e do conhecimento. Apologistas destas teses defendem o fim das ideologias, do mundo do trabalho e do futuro. Viveríamos na sociedade do efêmero e do eterno presente: a “pós-modernidade”. A partir do irracionalismo filosófico propõem que estariam esgotadas as formas de atuação coletiva para a superação dos problemas sociais de nosso tempo. No lugar do social surgiriam “tribos” com reivindicações específicas, uma dissociada da outra.

A impossibilidade da verdade a partir de bases objetivas e do conhecimento totalizante do mundo, junto com a fragmentação do mundo cognoscível tornam-se apoteóticas. Neste mundo da “globalização”, a educação, via qualidade total, construiria e adaptaria o “novo homem” para o “novo tempo”. Mas que bela armadilha teórica nos colocam! O mundo pode e deve ser globalizado, mas não o seu entendimento. Como dizia Brecht, para que e a quem servem tais hipóteses?

Defensores de uma noção de cidadania alicerçada no individualismo e no consumismo e na determinação do mercado, criticam os que defendem o Estado e a sociedade civil organizada para o avanço dos direitos coletivos, acomodando-nos diante do mundo neoliberal como única via de desenvolvimento. Aqui, a política e as idéias, separadas na arenga filosófica (habilidade do próprio discurso), encontram razão de ser no mundo da prática.

Neste quadro, a SEDUFSM e as representações estudantil e técnico-administrativo vêm propondo e organizando o “Repensar a Universidade” em uma conjuntura de eleições para a Reitoria e de Reforma Universitária. É um debate em aberto.

Mas, a continuarmos com a defesa da diversidade sem a correspondente igualdade, valor caro aos humanistas, a Universidade que vamos reformar, manter-se-á no caminho que vem trilhando: excludente, elitista e feudalizada pelos interesses privados, tragicamente levada adiante por parte dos seus próprios segmentos corporativos e administrativos. Resgatar a Universidade com seu sentido de universalidade, na qual a diversidade venha acompanhada da igualdade para a solução dos graves problemas do País: eis um dos desafios do “Repensar a Universidade”. Talvez o mais importante.

(Artigo publicado no Diário de S. Maria de 13.06.2005)

* SEDUFSM



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