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16 dias de ativismo contra violência de gênero

Por:  Maria Celeste Landerdahl*

A Campanha Internacional ‘16 Dias de Ativismo contra a Violência de Gênero’ é realizada desde 1991 no mundo todo, tendo por finalidade chamar atenção para a violência contra as mulheres como uma violação aos direitos humanos. Para isso, com a iniciativa do Centro de Liderança Global de Mulheres (CWGL), foi escolhido um período com datas históricas significativas, iniciando em 25 de novembro e finalizando em 10 de dezembro.

No Brasil, no entanto, a campanha inicia no dia 20 de novembro - Dia Nacional da Consciência Negra. A importância da inclusão desta data está conjugada na história da cultura negra no Brasil e, principalmente, na tripla discriminação sofrida pelas mulheres negras, cristalizada na opressão de gênero, raça e classe social.

A campanha segue com o Dia Internacional pela não Violência contra as Mulheres, no dia 25 de novembro; com o Dia Mundial de Combate ao HIV/AIDS, em 1º de dezembro; com o Dia do massacre de Mulheres de Montreal em 06 de dezembro e, finalmente, com o Dia Internacional dos Direitos Humanos, celebrado em 10 de dezembro.

Essa iniciativa política acontece na esteira das lutas feministas, as quais têm possibilitado visibilidade da violência de gênero, como uma realidade dolorosa que envolve mulheres e crianças, impactando social e economicamente no desenvolvimento do país. Tal realidade deve ser enfrentada na esfera dos direitos humanos, por uma sociedade em que o Estado seja mais atuante no âmbito privado, na medida em que se trata de um problema com repercussões públicas.

O foco da Campanha neste ano está na relação das armas de fogo com a violência de gênero. Pesquisas apontam que o risco de morte de mulheres é 3 vezes maior quando existe uma arma de fogo em casa. Além disso, as armas são associadas à masculinidade violenta, perpetuando, assim, a violência como uma característica masculina.

A despeito desta proposta em nível mundial, os “16 dias de ativismo” devem possibilitar discussões que venham ao encontro de necessidades locais. Santa Maria está carente dessas discussões e precisa urgentemente se alinhar à agenda política nacional relacionada às mulheres. Esperamos que a Coordenadoria da Mulher do município, no exercício de seu papel, lidere iniciativas que estimulem abordagens dessa natureza.

(O artigo, publicado em A Razão de 23.11.2011, também é assinado por Leticia Becker Vieira que, junto com Maria Celeste, integra o NEMGeP/UFSM)

* UFSM



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