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Quem é a SEDUFSM de 22 Anos?

Por:  Diorge Alceno Konrad*

A trajetória da categoria docente se fez e se faz de lutas e aprendizados. Há 31 anos, em 11 de dezembro de 1980, terminava a primeira greve nacional dos professores do ensino superior, na esteira da retomada dos movimentos paredistas contra a Ditadura Civil-Militar e o Governo Figueiredo. A conquista foi o reajuste de 24,5% e um novo plano de carreira. A consigna do movimento foi de que “a greve educa o educador”.

Alguns dias depois, nasceria a Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (ANDES), no Congresso Nacional de Docentes realizado na UNICAMP, entre os dias 18 e 20 de fevereiro. Em 11 de novembro de 1981, há 30 anos, nova greve parava a UFSM. A categoria aprendeu cedo: se governos não cumprem acordos, nossa “arma” é retirada das assembleias.

Alguns anos depois, com a Constituição de 1988 e o fim da proibição de existência de sindicatos no serviço público, esta Associação virou o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN). Alguns não quiseram que a Associação da UFSM se tornasse Seção Sindical. Cerca de cem professores fundaram a SEDUFSM, em 7 de novembro de 1989. Data e mês significativo para os lutadores mundiais. Foi a pequena “revolução” pela organização autônoma da categoria.

De lá para cá, os filiados ultrapassaram mais de mil, foram diversas diretorias, dezenas de dirigentes e conselheiros, centenas de lutas pela Universidade Estatal, Pública, Gratuita e de Qualidade. Muitos dos que vivem ou passaram por Santa Maria certamente ouviram falar desta entidade. Muitos sindicalistas já estiveram em atividades ou travaram lutas conjuntas com a minha, a tua, a nossa SEDUFSM.

Os saudosistas românticos que têm no passado a terra firme das suas ideias dirão que outros eram os bons tempos da luta sindical. E realmente foram bons. Somos herdeiros daquela trajetória. Mas temos o presente como realidade.

É preciso compreender quais são os dilemas contemporâneos a ser enfrentados, como a Universidade modificada por interesses imediatos e privatistas incide na subjetividade de nossos colegas, porque muitos não estão vendo o Sindicato como o sujeito coletivo de defesa de seus direitos, da Universidade socialmente referenciada, da sociedade universalmente igualitária. Sem este diagnóstico, enfrentaremos fragilizados aqueles que não nos querem.

Para os filiados afastados, descontentes, imersos na lógica produtivista, sem tempo para olhar o colega do lado senão como um concorrente, fraturado pelas formas complementares de ganhos individuais que pouco lhe sobrarão quando a aposentadoria chegar, permitam-me parafrasear Bertolt Brecht: “Mas que é o sindicato? Ele fica em sua casa com telefone? Seus pensamentos são secretos? Suas decisões são desconhecidas? Quem é ele? Nós somos ele, você, eu, vocês, nós todos”.

Que estas palavras traduzam o que representa a SEDUFSM para mim: admirada como estudante da UFSM quando ela nasceu, conhecida por dentro nos últimos anos, defendida por fora quando lhe insultam, acusam e não a querem na luta docente. Que venham outros 22 anos, assim como outros 22, 44, 88... novos sindicalizados!!!!

(Publicado em A Razão de 29.11.2011)

* SEDUFSM



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