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Lula e o SUS

Por:  Maria Beatriz de Morais Carnielutti*

Tão logo recebeu o diagnóstico de um câncer na laringe, o ex-presidente Lula fez a opção de fazer seu tratamento no melhor e mais caro hospital da América Latina, SP, o Sírio Libanês. Nenhum reparo, pois como ex, tem direito as “regalias constitucionais” - 02 veículos executivos oficiais, 02 assessores, o plano de saúde mais caro do país, funeral de chefe de Estado e remuneração de aproximadamente R$ 26.000,00, em valores de hoje - tudo pago integralmente pela Casa Civil, como prevê a Constituição da República Federativa do Brasil.

Imediatamente também, nas redes sociais, surgiram manifestações de internautas sugerindo a LULA que fosse enfrentar seu tratamento no SUS. Não tardou e começou a tentativa dos lulo-petistas de desqualificar estas manifestações querendo passar a idéia de que essas pessoas seriam rancorosas e estariam, mais uma vez, sendo preconceituosas com este pobre metalúrgico que chegou a chefe de Estado e, que, portanto, desejariam a sua dor, o seu sofrimento e talvez até a sua morte.

Na realidade, a mensagem que está sendo passada pelas redes sociais é de que se aproveite este momento para uma tomada de decisão urgente, eficaz e eficiente para que milhões de brasileiros submetidos a precariedade deste sistema de saúde falido e sucateado, cujos recursos são sabidamente desviados, obrigados a enfrentar fila de meses e até anos - tempo muitas vezes maior do que se leva para percorrer a distância entre São Bernardo e São Paulo - para ter acesso a procedimentos básicos , não tenham suas vidas colocadas em risco dia após dia pela falta de profissionais, medicamentos, leitos hospitalares e equipamentos e que milhares não mais morram, todos os dias, por puro descaso, muitas vezes antes mesmo de ter um diagnóstico e iniciar o tratamento.

Na realidade, a sociedade brasileira está usando as redes sociais para relembrar ao próprio Lula suas declarações, feitas em 2010, quando fez questão de dizer que a saúde publica no Brasil era de muito boa qualidade e que “até queria ficar doente para poder utilizar o SUS”. Então, companheiro, não perca a oportunidade. Entre na fila, retire a ficha e aguarde porque enfrentar o tratamento de um câncer no Sírio-Libanês torna essa batalha, no mínimo mais confortável.

(Publicado no Diário de Santa Maria de 01.12.2011)

* UFSM



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