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O poder é do povo

Por:  Nilton Bertoldo*

Em republiquetas ou países de opereta como o Brasil, não há nada mais ridículo que uma campanha eleitoral. Mas, dizem alguns, embora apedeutas, mirmidões, proxenetas e cabungos, que ainda não inventaram nada melhor. Dos eleitos, que se elegem se fazendo acreditar, pelo menos podemos debochar fazendo chalaças e que temos a possibilidade de mudar de quando em quando, o que não é pequena vantagem. Mesmo assim, há que ser vigilante. A tirania democrática não é impossível e é sempre a mais provável, anódina.

Nossos dirigentes, aos quais lhes outorgamos o poder, podem até exigir obediência - desarmaram o povo, mas o Estado está falido na segurança dos seus cidadãos –mas não podem querer nossa estima , salvo aquela que sua honestidade lhes faz merecer. A política não é a arte dos fins, mas dos meios: ela começa onde eles divergem. E, na política, todos os caminhos levam ao poder, ou não levam a nada.

Em toda a coletividade, é preciso haver chefes e responsáveis. Os mais competentes? Não necessariamente, ou de uma competência bem particular: o melhor chefe não é quem sabe mais, e sim quem é mais apto a chefiar.

O poder não vem do saber: a verdade não tem poder e o saber não poderia portanto dar um poder que ele não tem. O saber, e este ou aquele saber, pode ser uma condição necessária do poder mas não poderia ser sua condição suficiente nem, inclusive, decisiva.

O saber se impõe a todos, claro, mas não impõe nada: nem a competência, infelizmente. Alguns quiseram tirar disso um argumento contra a democracia: o poder da maioria seria o poder dos ignorantes ou, como diz Pascal, “dos menos hábeis” (vide o Congresso Nacional).

Numa República, é o povo que deve reinar, não os demagogos, não os tecnocratas e muito menos os apadrinhados dos políticos (o Senado Federal continua com 10 mil funcionários e altíssimos salários).

E numa democracia, o poder vem do povo. Tem-se aqui, uma circularidade; a circularidade do poder, a circularidade da política. Nem mesmo o povo tem o poder, se não o tomar e for capaz de defendê-lo e para isso precisamos urgentemente banir os corruptos do Parlamento.

O povo só tem o poder se...tiver o poder; se ele o tiver, e na medida em que o tiver. Mesma coisa para o rei: ele só é rei porque tem o poder de reinar e somente enquanto mantiver esse poder. Isso tudo foi muito bem analisado por Pascal, Maquiavel, Hobbes e Espinosa: o poder não tem outra justificativa além de si mesmo, e é por isso que todo poder nunca é mais que o resultado de uma relação de forças: só há poder de fato e este é do povo e de mais ninguém, muito menos dos políticos!

(Publicado em A Razão de 16.12.2011)

* UFSM



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